O Dia Internacional da Mulher comemorado no dia 8 de Março é fruto de mais de um século de luta para afirmação da mulher na sociedade e na igualdade de direitos e oportunidades.

Apesar de muitos considerarem que já não faz sentido a comemoração deste dia, porque supostamente vivemos numa sociedade baseada na igualdade, a verdade é que na prática isto nem sempre acontece e a realidade é que muitas mulheres esbarram ainda numa sociedade que as discrimina e a desvaloriza.

Não posso dizer que me sinto discriminada por ser mulher, pelos menos directamente não o sinto, nem nunca senti, mas as estatísticas e os relatos de muitas mulheres provam que a discriminação ainda existe.

A luta pela igualdade de direitos e oportunidades iniciou-se com a entrada maciça de mulheres na indústria têxtil no pós Revolução Industrial.

Nestas fábricas com condições de salubridade miseráveis trabalham mulheres com metade dos salários dos homens e numa media de 18 horas por dia.

Para exigir melhores condições de trabalho, salários mais justos e equiparados aos dos homens, as operárias de uma empresa têxtil de Nova Iorque, entraram em greve e ocuparam a fabrica. Entretanto foram fechadas dentro da fábrica, propagou-se um incêndio e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.

Tudo aconteceu a 8 de Março de 1857.

Só 30 anos mais tarde, no Congresso Internacional Socialista em Paris é proclamado o direito da mulher ao trabalho, em condições de igualdade com o homem, é só posteriormente em 1928 foi legitimado o direito ao voto.

Em 1910, no Congresso Socialista em Copenhaga e por proposta de Clara Zetkin, fica consagrado que o dia 8 de Março seria o Dia Internacional da Mulher, em homenagem as mulheres americanas que morreram 53 anos antes na luta legitima dos seus direitos de trabalho.

Desde então, o Dia Internacional da Mulher é comemorado por esse mundo fora no dia 8 de Março, com homenagens, jantares, colóquios, etc.

Muito se tem evoluído em prol de uma sociedade mais equitativa, mas muito caminho há ainda a percorrer, e o relatório de 2009 sobre a igualdade de homens e mulheres da União Europeia comprova isso mesmo.

Em Portugal, as mulheres constituem mais de metade da população e dos leitores, quase metade da população activa, mais de metade dos trabalhadores intelectuais e científicos, a maioria dos contribuintes, a grande maioria nas universidades, mas ainda continuam a ganhar menos do que os homens no desempenho das mesmas funções, a chegar a cargos de chefia e de poder muito mais tarde, a desdobrar-se entre a maternidade, as tarefas domesticas, a vida social, o trabalho e muitas ainda incompreensivelmente agredidas em suas casas, quer física quer psicologicamente.

Mas para ultrapassar estas diferenças e estas injustiças é necessário mudar mentalidades, atitudes e posturas.

Não se pense que a mudança deve partir dos homens.

A mudança deverá partir de nós mulheres!

Devemos ter consciência dos nossos direitos e saber fazê-los valer, não nos podemos desvalorizar e temos de abandonar definitivamente o estigma de “sexo fraco”.

Somos trabalhadoras incansáveis, conseguimos abraçar varias tarefas em simultâneo, damos o nosso melhor em todas as áreas, fazemos o mesmo que os homens, chegamos a casa depois de um dia de trabalho e ainda tratamos do lar, das crianças, do marido, muitas vezes de mais família e ainda arranjamos tempo para nós e isto e que é sexo fraco?

Para não sermos discriminadas, não esqueçamos nunca do nosso valor, e do papel fundamental que desempenhamos na construção da sociedade.

Que o Dia Internacional da Mulher seja todos os dias e que se perceba definitivamente que o mundo só evolui quando homens e mulheres caminharem lado a lado em igualdades e direitos e não de costas voltadas.