O futuro dos funcionários da Gamor II Unipessoal Lda continua uma incógnita. Os colaboradores, os advogados e as sindicalistas do Sindicato Têxtil do Porto estiveram mais uma vez à frente da empresa para se reunirem com o proprietário, mas António João Leite não compareceu.

A cerca de uma centena de trabalhadores regressou à empresa esta segunda-feira, 19 de setembro, para, supostamente, saberem o resultado da reunião que António João Leite ia ter com o IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação) na sexta-feira, 16 de setembro.

O proprietário da empresa têxtil não apareceu nas instalações a fim de ter essa reunião com os trabalhadores e segundo Marlene Correia, sindicalista, já era previsível que tal acontecesse. “O senhor António João não aparaceu, nada que já não estivéssemos à espera, e como não sabemos se efetivamente a reunião de sexta-feira se realizou ou não com o IAPMEI, não há dúvida quanto àquilo que as trabalhadoras vão fazer. Vão começar a fazer as cartas para recorrerem à suspensão do contrato e poderem desta forma usufruir do subsídio de desemprego”, adiantou.

Nesta altura a confusão já se instalou nas vidas destes trabalhadores que nem os próprios sabem muito bem quais os seus direitos e o que hão de fazer concretamente. Como tal, alguns trabalhadores decidiram recorrer a advogados para tentarem salvaguardar minimamente o seu futuro. Paulo Pinto, um dos advogados, está a fazer todos os possíveis para entrar em contacto com o proprietário da Gamor II Unipessoal Lda e tentar perceber quais as suas intenções relativamente à empresa. “Em colaboração com o outro advogado estamos a ver se conseguimos chegar ao contacto com o proprietário da fábrica para saber se ele tem a intenção de a reabrir ou não, ou se vai apresentar-se à insolvência”. Como esta tem sido uma tarefa difícil o advogado só vê uma solução para este problema “pedir insolvência da empresa”. “As pessoas nesta altura estão com vencimentos em atraso, não têm direito a nenhum subsídio e precisam de definir a sua situação, até mesmo porque já terão sido despedidas algumas trabalhadoras e provavelmente terá de ser requerida a insolvência da empresa”.

António João Leite não se mostra mas aparenta continuar a ser o proprietário da empresa. Chegou mesmo a tomar medidas para evitar que os colaboradores entrassem na fábrica. Os funcionários, por sua vez, terão sido chamados a comparecer na empresa, na sexta-feira, uma vez que esta estava a ser arrombada e estavam a ser mudadas as suas fechaduras. “Ligaram-nos a dizer que tinham arrombado um portão e perante esta situação nós viemos para cá com o nosso antigo patrão para tentarmos entrar lá dentro e levar os nossos pertences. Quando cá chegamos, percebemos que tinham sido mudadas as fechaduras da empresa”, adiantou Márcia Costa, uma das funcionárias. Depois de entrarem nas instalações da Gamor, os trabalhadores perceberam que faltavam materiais no interior da fábrica, o que os leva a crer que terá “mão do patrão”. “Na parte de cima estava tudo em ordem, mas na parte de baixo faltava um computador e uma encomenda. Ninguém viu essa encomenda a sair da empresa, por isso foi tirado às escondidas o que nos leva a crer que foi a mando dele” (referindo-se ao patrão).

Os funcionários admitem que o proprietário da Gamor está a fazer-se de vítima, mas mesmo assim não deixam de lhe exigir explicações. “Ele está a fazer-se de vítima, diz que aparece e não a parece, mas vai ter de aparecer, dar a cara e dizer onde é que meteu o dinheiro das encomendas que fizemos no mês de agosto. Nós sabemos que ele recebeu o dinheiro dessas encomendas e queremos saber onde é que ele o meteu”, acrescentou Maria Costa.

Esta é uma história que parece não ter fim à vista. Até ao momento o que se sabe ao certo é que esta centena de trabalhadores continua sem receber o ordenado referente ao mês de agosto, o subsídio de natal e de férias. Já o proprietário da empresa, António João Leite, continua incontactável.

 

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