Se está desempregado, não tem acesso ao crédito e deseja criar o seu próprio negócio, o microcrédito poderá ser uma solução. A autarquia, o IEFP, a AEBA e Associação Nacional de Direito ao Crédito juntaram-se no passado dia 29 de Abril e apresentaram algumas soluções para quem enfrenta o desemprego em tempos de crise.

Encontrar soluções para o desemprego e conhecer alternativas para que os trofenses possam deixar a condição de desempregados é o objectivo da Câmara Municipal da Trofa, que promoveu um Fórum sobre o desemprego, que contou com a participação de um membro do IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional.

Assim, o Auditório da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado recebeu esta actividade dirigida aos desempregados do concelho e onde a autarquia procurou dar a conhecer algumas formas alternativas para a criação do próprio emprego, como por exemplo o recurso ao microcrédito e outros fundos de apoio disponíveis pelo IEFP, Instituto de Emprego e Formação Profissional.

Durante o Fórum os participantes na mesa deram os seus testemunhos de um caso de sucesso e de como foi possível ultrapassar a situação do desemprego.

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Joana Afonso, Técnica da Associação Nacional de Direito ao Crédito, foi uma das pessoas que incentivou à criação do próprio emprego. “O facto de estarem desempregados não significa que não tenham alternativas e que não possam procurar desenvolver esforços para poder trabalhar por conta própria. Muitas vezes para começar por conta própria não é necessário um grande investimento, é preciso reunir um conjunto de meios que não custam tanto quanto isso e as pessoas têm familiares e equipamentos de experiências anteriores que podem ser a base de um negócio por conta própria”, afirmou.

Recorrer ao microcrédito é também uma alternativa viável para obter um pequeno financiamento que ajude a concretizar estes projectos. “A grande diferença é que o microcrédito se destina a pessoas que não conseguem obter o crédito normalmente na banca, ou seja, que pela sua situação de desempregados ou de trabalho precário, não reúnem as garantias que os bancos exigem para conceder os créditos”, explicou Joana Afonso. E segundo a técnica são cada vez mais os portugueses que recorrem a este serviço: “a associação tem sentido que há muitas pessoas, nesta fase em que a crise está a apertar, que estão a procurar alternativas e que estão a contactar a associação no sentido de, por estas vias, avançar com os seus projectos. As pessoas conseguem ver na crise o desafio e a oportunidade e temos neste momento várias pessoas que estão neste momento a avançar com os seus projectos”.

Manuel Pontes, presidente da AEBA – Associação Empresarial do Baixo Ave, também participou nesta iniciativa e apresentou alguns dos casos de sucesso para dar “ânimo” às pessoas que ainda estão indecisas em avançar com os seus projectos. “Dos jovens que incentivamos a criar a sua pequena empresa, felizmente temos muitos êxitos e hoje trazemos um exemplo prático que vem trazer ânimo às pessoas para dizer que não há impossíveis, vimos trazer uma lufada de ânimo e optimismo para que as pessoas pensem que, apesar das dificuldades que hoje sentem, há sempre uma alternativa, há é que lutar por ela”, afirmou o responsável.

Preocupado com a situação “chocante” da subida do desemprego, Manuel Pontes apresentou a formação profissional da AEBA como outra das alternativas. “Esta questão do desemprego é um objectivo prioritário da AEBA. É triste, é comovente e chocante ver hoje pessoas a precisarem de trabalhar para ter os seus rendimentos mínimos e não ser possível.

A AEBA tem a sua formação profissional e portanto batem-nos à porta diariamente solicitações a pedir emprego, com muita apreensão vemos isto e como se trata de uma das nossas missões é evidente que estamos muito empenhados e aderimos a todo tipo de iniciativas”, acrescentou.

Este fórum sobre o desemprego e microcrédito foi para Bernardino Vasconcelos “mais uma oportunidade para dar a conhecer os meios a que as pessoas podem recorrer para desafiar o desemprego”.

O Gabinete de Apoio ao Microempresário é uma das alternativas que existem no concelho, onde as pessoas “que têm um projecto individual de negócio podem recorrer ao crédito até um limite máximo de 10 mil euros”, com o devido aconselhamento.

Mas preocupado com problemas sociais mais graves, que poderão advir das situações de desemprego, Bernardino Vasconcelos tem já preparadas várias “almofadas” para ajudar as pessoas em situações mais precárias.

“Nós temos na Câmara algumas almofadas para estas circunstâncias menos agradáveis pelas quais as pessoas podem passar, a Loja Social dá uma resposta imediata do ponto de vista burocrático, como também administrativo de resposta às pessoas no seu dia-a-dia”, afirmou.

O Gabinete de Apoio ao Endividamento e ao Subendividamento é também uma ajuda, pois “consegue também, avaliando as capacidades financeiras últimas das pessoas, renegociar os seus compromissos e reprogramar toda a sua dívida para que possam cumprir os pagamentos”, acrescentou.

Não havendo, para já, situações de despedimentos em massa no concelho, Vasconcelos está à “cautela”: “não há para já na Trofa um caso de despedimento volumoso, não sabemos como os tempos próximos vão ser e não podemos estar sorridentes, estamos sempre acautelados para o que possa acontecer e neste âmbito tenho visitado as empresas locais para perceber como é que elas vão”.

Com o número crescente de desempregados, pena foi que, num fórum de discussão onde se apresentaram soluções para esta crise de empregos, não tivessem participado tantas pessoas como o esperado.