Um autentico rio de nafta corre há vários dias pela Rua dos Combatentes, proveniente de uma unidade industrial desactivada, na cidade da Trofa. Os bombeiros já tentaram minorar as escorrências com a colocação de um pó sobre a nafta mas com o calor há riscos de que haja um novo vazamento. A Câmara enviou um empreiteiro para tentar "estancar" a nafta, mas garante que resolver o problema "é da competência da CCDRNorte"

   Mais de 300 metros da Rua dos Combatentes, na Nova Abelheira em S.Martinho de Bougado estão pintados de negro. Visto a uma certa distância dá ideia de que o pavimento da estrada está a derreter mas a realidade é bem mais grave. Muitos litros de nafta, um derivado de petróleo, correm "há cerca de um mês" pela rua, oriundos de um depósito, instalado nas traseiras da empresa Kebir, situada junto à EN 104.

Segundo uma testemunha que se encontrava no local e que preferiu o anonimato "numa primeira fase o produto, inflamável, estava apenas no terreno da fábrica", mas agora, alegadamente devido ao calor que se tem feito sentir, "a nafta infiltrou-se nas paredes do muro e começou a escorrer pelos canos, espalhando-se depois na via pública"adiantou. A testemunha garante que "a nafta já está na rua há mais de um mês mas está fora do depósito há mais de dois", frisou.

O alerta terá chegado ao Quartel dos Bombeiros Voluntários da Trofa esta terça-feira e de imediato João Pedro Goulart alertou "o senhor comandante distrital dos Serviços de Protecção Civil e foram eles que de imediato solicitaram esta colaboração da Câmara para atenuar os efeitos daquele problema", assegurou horas mais tarde António Pontes, vereador responsável pela Protecção Civil.

Pontes garantiu "só fomos formalmente alertados para esta situação hoje (terça-feira). De imediato demos conhecimento ao SEPNA – Serviço de Protecção da Natureza da GNR que levantou o respectivo auto e de imediato comunicou à CCDR Norte- Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, a quem cabe resolver situações como esta de poluição industrial", assegurou.

No entanto António Pontes garante que "mandei lá um empreiteiro que trabalha para a Câmara para tentar remediar a situação até que a CCDRN tome medidas para resolver aquela situação", assegurou.

Por se tratar de um resíduo "perigoso" a autarquia está a tomar medidas para "minorar os impactos negativos que a nafta causa nos solos e nas linhas de água mas assegura que é à CCDR Norte que compete remover e limpar a nafta". O responsável diz já ter informado a Comissão e que a autarquia "não vai chamar a si a resolução deste caso a não ser que a CCDRN assuma o compromisso de pagar os custos inerentes a este processo", para evitar o que já aconteceu "duas ou três vezes". Pontes deu o exemplo do caso Corave "que a autarquia tentou evitar uma catástrofe, contratando uma empresa para estancar e remover a nafta derramada no ribeiro de Lantemil, gastando cerca de 300 mil euros e que, na hora de ser ressarcida pela CCDR Norte, ficou sem o dinheiro do erário público porque a Comissão alegou não ter verbas para fazer face a esta situação", asseverou.

Perigos para a saúde pública

Afinal o que é a nafta? É uma mistura de hidrocarbonetos resultante da destilação do petróleo natural. Em caso de inalação, a nafta pode causar problemas hepáticos e renais no ser humano, além de provocar mutação genética em peixes, atingindo a cadeia alimentar.

O risco é menor do que se o vazamento fosse num ambiente fechado, mas são o figado e os rins que são prejudicados ao tentar eliminar a toxina do organismo.