Terreno perigoso 

afonsopaixao      Nos últimos dias têm chegado às mãos de muitas instituições e pessoas da Trofa uma denúncia anónima que coloca em causa um conjunto de pessoas, desde autarcas até empresários e dirigentes associativos.

      Sem cuidar de fazer a análise ao seu conteúdo, sempre direi que este é um terreno perigoso e que me parece desapropriado num Estado de Direito.

     É um terreno muito perigoso porque põe em causa um conjunto de pessoas que, até que alguém demonstre o contrário, são pessoas sérias e credoras da nossa consideração e respeito.

      É também um terreno perigoso para os próprios denunciantes porque poderão ser vítimas, no futuro, do mesmo processo.

     Ninguém está livre do boato que mancha a honra das pessoas, criando dúvidas sobre a honorabilidade e a sua seriedade.

     Conheço os visados, uns mais e outros menos. Considero que todos são pessoas sérias e nunca tive conhecimento que qualquer dessas pessoas tivesse comportamentos menos honestos.

     Este artigo de opinião não visa defendê-los, até porque seria desnecessário. Nada devo às pessoas visadas, à excepção da consideração e do respeito de que são credoras da minha pessoa, mas considero que merecem a solidariedade de quem acredita no Estado de Direito Democrático.

     Por este tipo de condutas, não faltará muito tempo até que não consigamos pessoas que aceitem aventurar-se em cargos públicos tal a violência destas denúncias anónimas a carecer de comprovação.

     Não sei de quem é a autoria de tal denúncia anónima e possivelmente não conheço a pessoa ou pessoas que redigiu ou redigiram.

     É possível que sejam pessoas que gostam da Trofa e tenham divergências do rumo que a nossa terra leva. É possível que lhes seja difícil, por qualquer razão, dizerem frontalmente as suas discordâncias, mas o caminho não é este.

     Se alguém tem conhecimento de condutas criminosas deve (é uma obrigação legal) comunicar às autoridades com funções jurisdicionais e que combatem a criminalidade e deve ser testemunha perante as autoridades judiciais.

     Não podemos viver num clima de suspeições. Os crimes devem ser punidos, mas o bom nome das pessoas deve ser resguardado.

     Quem fez esta denúncia anónima não será beneficiado por isso: será vítima, enquanto cidadão, ou cidadãos, do clima de suspeição que nos transforma, a todos, em suspeitos de crimes, haja ou não indícios, haja ou não investigações, haja ou não condutas criminosas.

     Refira-se que as reacções são desfavoráveis, tanto quanto vou sabendo, a esta denúncia anónima.

     Há não muito tempo, escrevi sobre o caso Freeport e sobre o Primeiro-Ministro, Eng.º José Sócrates, e laborei no mesmo raciocínio: o direito ao bom nome das pessoas não deve ser posto em causa a qualquer preço. Mesmo que haja actos eleitorais próximos. 
 
 

     Afonso Paixão 

     P.S. Desejo a todos os colaboradores e leitores d’O Notícias da Trofa uma Páscoa feliz