Nota Prévia:

Esta foi a expressão mais suave que encontrei para traduzir o provérbio popular com o mesmo sentido, “dar p… com o respectivo dos outros”.

Não o escrevo tal qual ele é, porque penso que se deve ter algum pudor quando se escreve artigos para a opinião pública.

 

Quando escrevo “Dar tiros com a espingarda dos outros”, caracterizo a postura do actual executivo camarário ao longo do último ano.

Porquê?

É simples, basta consultar a edição de 11 de Novembro de “O Noticias da Trofa”.

Ao ler a primeira página fiquei curioso quando reparei no título “66.878.000 Euros, Câmara apresentou contas”. De seguida, procurei a notícia nas páginas interiores. Na página 5, encontrei a descrição e justificação de tal valor.

Para meu espanto, o executivo municipal considera como dívida as obras em curso do parque escolar, o projecto de reabilitação dos parques urbanos e a Área de Localização Empresarial (ALE).

Ou seja, o executivo municipal considera que os compromissos das obras em curso e os projectos anteriormente referenciados são da exclusiva responsabilidade do PSD.

Já tinha visto a fotografia da Presidente de Câmara a passear na nova estação, podendo parecer aos mais distraídos que a obra é da sua responsabilidade ou influência.

Todos sabemos que não. Aliás, basta ver a evolução do processo da chegada do metro até à Trofa para perceber que anda a ver os comboios a passar.

Agora, vejo que a Câmara Municipal entende que o valor de investimento na beneficiação do parque escolar do Concelho é da responsabilidade do PSD.

Entendo que a beneficiação dessa infraestrutura é essencial às boas condições de aprendizagem das crianças. É certo que foi da iniciativa do PSD, mas é o tipo de investimento que não interessa saber a origem partidária para o definir como excelente.

Mas, será que depois, aquando da inauguração das escolas, a Presidente de Câmara vai colocar uma “placazinha” com o seu nome? E será que a Presidente de Câmara vai passear nas escolas e tirar fotografias para sair nos jornais para parecer uma obra sua?

Se o fizer, está a dar tiros com a espingarda dos outros.

Quando a obra da reabilitação dos parques urbanos estiver em andamento, será que a Presidente de Câmara via fazer um festim e dizer que a iniciativa e o suporte financeiro da mesma é da sua autoria? E quando a obra estiver concluída, será que o executivo camarário desfilará na sua inauguração?

Se o fizer, estará a dar tiros com a espingarda dos outros.

E a ALE? O que vai fazer a Câmara?

Vai anunciar que vai criar empregos? Os tais mil por freguesia que se ouviu durante a campanha?

Mas, relativamente a este processo a complicação ainda é maior.

Pode esclarecer a Câmara porque ainda não informou os munícipes sobre a decisão dos apoios comunitários ao projecto?

Se decidiu alterar o projecto, interrompendo a sua aprovação, a Câmara deveria ser clara e retirar o valor do compromisso, sob pena de faltar à completa verdade aos trofenses.

Vai continuar a Câmara a dar tiros com a espingarda dos outros?

Se a Câmara Municipal decidir por actuar de forma correcta e não apropriar-se das obras que não são suas, o que resta de obra durante quatro longos anos?

Já pensaram nisso?

É simples – Deixa de ter a espingarda dos outros e, infelizmente, fica com a sua para dar tiros nos pés.

 

Nota Final:

Já referi anteriormente, e volto a fazer novamente. Não respondo a ataques pessoais directos ou encomendados, nem contribuo para valorizar aqueles, ou aquelas, que não têm dimensão.

Esses assuntos são para tratar em sede própria.

 

Tiago Vasconcelos