Natural da Trofa, Daniel Silva, foi 12º classificado da Volta a Portugal e ficou a 20 segundos do “Top 10” da competição. Boa prestação catapultou-o para os melhores trepadores de Portugal.

Daniel Silva foi para a Volta com a missão de ajudar “Santi” Perez a conseguir infiltrar-se nos melhores ciclistas da competição. Cedo acabou por se tornar chefe-de-fila da equipa Centro de Ciclismo de Loulé, quando na subida à Senhora da Graça, o espanhol não se sentiu bem e mandou-o seguir com o grupo principal. Na etapa rainha, o atleta trofense “nunca” pensou que conseguisse aguentar com os favoritos até à parte final. Terminou num surpreendente 5º lugar a apenas 21 segundos do que viria a ser vencedor da Volta, David Blanco. Surpreendente sim, tendo em conta que esta foi (apenas) a segunda participação de Daniel Silva na Volta e aconteceu depois de um período de incerteza quanto à sua condição física, já que esteve lesionado cerca de três meses.

Em entrevista ao NT, o ciclista afirmou que a prestação na Volta este ano “foi muito boa” pelo 5º lugar alcançado na Senhora da Graça, o 8º lugar na etapa com a chegada à Torre, Serra da Estrela, e o 12º na geral individual a 20 segundos do “Top 10”.

Quando começou a Volta, Daniel Silva não podia “olhar a resultados ou objectivos pessoais”. A tarefa que tinha era “ajudar e proteger o colega de equipa”. “Todos nós depositávamos toda a confiança nele (Santi Perez), já nos tinha dado três vitórias ao longo da época. É um grande ciclista e tem um palmarés fabuloso. Por isso, ficamos tristes por ele não estar ao melhor nível e lutar pela vitória na Volta a Portugal”, referiu.

Com a boa forma física, os comentários que Daniel Silva mais ouvia era que “se no ano passado tinha sido a revelação da Volta, este foi o da confirmação, entrando para os melhores trepadores de Portugal”.

A Volta a Portugal é, para Daniel, “uma corrida especial”. “Parece que estamos a correr noutro país”, frisou. O ciclista pintou o cenário e apontou para “toda a logística montada, a mediatização, o povo na estrada, os cartazes e pinturas na estrada a apoiar os ciclistas, os milhares de pessoas que vão para a Senhora da Graça e Serra da Estrela para o convívio”. Depois ainda há aqueles que correm ao lado dos atletas e largam gritos de apoio ou deitam água pela cabeça abaixo dos ciclistas. “As etapas de montanha são as que têm as paisagens mais bonitas, intimidadoras às vezes. Mas a passagem em Mondim de Basto, pelo barulho ensurdecedor das pessoas a gritar, até dá arrepios”, contou Daniel Silva.

 

Incêndios foram “cenário desolador”

Mas se por um lado foi possível apreciar quilómetros de paisagens verdes, por outro abundaram os fogos florestais. O ciclista afirmou que “em todas as etapas” passou por localidades “rodeadas por incêndios”. Um deles, que devastou a vegetação da Serra da Estrela, levou à alteração do percurso da 7ª etapa. “Um cenário desolador”, lamentou.

O fumo dos incêndios foi, inclusive, uma das principais dificuldades que o atleta encontrou durante a prova. Para além disso, “o ritmo imposto pela equipa do David Blanco e o calor” foram os outros obstáculos que Daniel Silva teve que atravessar.

Durante a competição, o ciclista encontrou sempre “muito apoio”. “Mais uma vez, vários grupos de amigos da Trofa, e não só, deslocaram-se dias antes para a Senhora da Graça e Serra da Estrela para me apoiar. Fizeram-me uma festa enorme. O meu agradecimento a todos eles”, frisou.

 

Sinto que posso” ir mais longe na Volta

Mesmo estando três meses lesionado, e temendo que a preparação para a Volta não fosse a desejada, Daniel Silva conseguiu surpreender na competição. No entanto, falta-lhe melhorar no contra-relógio para que possa almejar o lugar mais alto da geral. “É uma especialidade que requer um treino específico, onde se utiliza uma bicicleta diferente e se adopta uma posição mais aerodinâmica”, explicou o atleta. Nesta edição da Volta a Portugal, o percurso do contra-relógio era plano. Mas se fosse mais duro, com subidas, Daniel acredita que “os resultados seriam diferentes”.

Terminada a Volta, o ciclista vai agora cumprir treinos de recuperação de 80 quilómetros, voltando à competição no próximo fim-de-semana e em circuitos populares, que fazem parte do cartaz das festas de algumas localidades. De 3 a 5 de Setembro vai realizar o Grande Prémio Crédito Agrícola da Costa Azul.