Daniel Silva conseguiu o 10º lugar na Volta a Portugal e fez um “brilharete” na última etapa ao vencer o prémio da combatividade. O ciclista contou ao NT alguns pormenores da prova.

São um sem número de locais bonitos galgados quilómetros e quilómetros, preenchidos por pessoas entusiastas e capazes das maiores excentricidades. Para chamarem a atenção, são capazes de, em pleno monte da Senhora da Graça, estarem apenas munidos de um fato de banho a imitar a personagem Borat Mankini ou mascarados de Rolling Stones. O êxtase ganha tamanha proporçao que às vezes, na ânsia de “matar a sede” aos ciclistas, há pessoas que, ao correrem de costas para os alcançar com garrafas de água, dão valentes trambolhões. Esta é a festa da Volta, contada por um ciclista.

A prova acabou segunda-feira, 15 de agosto, e Daniel Silva já sente “saudades”. O ciclista natural da Trofa e um dos atletas da Onda Boavista, terminou a Volta a Portugal em 10º lugar, melhorando a classificação do ano passado. Em entrevista ao NT, confessa que esta conquista “significa que a cada ano que passa” está a “melhorar o rendimento e a ficar com mais experiência”.

Na última etapa da Volta, com chegada a Lisboa, Daniel esteve em destaque ao andar na fuga do dia com mais três ciclistas estrangeiro, tendo sido o último a ser alcançado quando faltavam apenas três quilómetros para a meta. Este “brilharete” valeu-lhe o prémio da combatividade.

Do ponto de vista coletivo, o objetivo de levar o líder João Cabreira à vitória não foi conseguido: “Ricardo Mestre (vencedor da Volta) e a sua equipa Tavira-Prio foram os mais fortes. Saímos um pouco tristes, mas de consciência tranquila, pois demos o nosso melhor”.

Todas as etapas têm “dificuldades” associadas, pois “mesmo aquelas com partidas fáceis e sem montanhas tornam-se complicadas com chegadas ao sprint”. “A velocidade é muito elevada e, nas partes finais, há uma enorme pressão para se ficar bem colocado na frente, para evitar perdas de tempo e cortes no pelotão”, explicou Daniel Silva. Por isso, “nos últimos 20 quilómetros, todas as equipas tentam colocar bem o seu líder, os sprinters procuram o melhor lugar e os seus próprios lançadores na frente aceleram”. “Não há espaço para toda a gente e ninguém quer travar. Nestes momentos há uma mistura de loucura, adrenalina e medo, pois vamos a 60 km/h (quilómetros por hora) com encostos de ombro e bicicletas a bater umas contra as outras para ganhar o melhor lugar. Recordo-me da chegada a Viseu, antecedida de uma descida longa e nos últimos cinco quilómetros o conta-quilómetros marcava 92 km/h. As pessoas não fazem a mínima ideia da pressão que há sobre os ciclistas nas partes finais das etapas”, contou.

Em termos de público, Daniel Silva notou um acréscimo, principalmente nos prémios de montanha e nas metas-volantes, mas a passagem em Mondim de Basto “continua a concentrar um maior número de pessoas”.

Mesmo a recuperar de uma lesão e, por isso, facilmente identificado no pelotão devido à ligadura no cotovelo, Daniel Silva conseguiu mostrar a progressão da carreira que o aponta como um dos mais promissores ciclistas de Portugal. Este ano, o ciclista ainda teve um motivo de orgulho “extra”: começar a primeira etapa na Trofa.

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