Daniel Ramos - Treinador do Trofense

 

 

 

 

 

A uma jornada do final primeira volta, o Clube Desportivo Trofense ocupa o oitavo lugar com dezanove pontos.

No reatamento do trabalho já em 2007, em entrevista ao NT, Daniel Ramos fez um balanço da sua estadia no clube e adiantou alguns dos objectivos que pretende ver cumpridos a curto prazo.

O Notícias da Trofa: A pré-época foi construída a pensar na manutenção do Clube Desportivo Trofense. Que balanço faz desta primeira metade de campeonato?

Daniel Ramos: O Trofense tem dezanove pontos a faltar uma jornada para o fim da primeira volta, por isso considero que o balanço é positivo. Atendendo que os pontos necessários para a manutenção são cerca de trinta, temos alguma margem de manobra,relativamente aos lugares de descida, embora pensamos para cima e não para baixo.

NT:Considera que os dezanove pontos conquistados reflectem perfeitamente a performance do Trofense nestas catorze jornadas?

DR:Pelo que fizemos considero que poderíamos ter mais pontos neste momento. Em casa, infelizmente, apesar de exibições positivas no geral, acabamos sempre por não corresponder em termos de pontos. Por exemplo, a derrota com o Santa Clara que foi extremamente injusta, já para não falar do jogo com o Vizela e o Gondomar, em que os adversários conseguiram o empate nos descontos. Uns pontos a mais nestes jogos dariam outra classificação ao Trofense. No entanto temos que ser realistas e pensar que nem tudo está a ser mau.

NT: Ao longo de alguns jogos para o campeonato queixou-se que os árbitros prejudicaram o Trofense. Essa dualidade de critérios pode ser explicada pela posição de “outsider”?

DR: Isso foi mais que relatado, mas agora vou deixar de falar nessas coincidências, porque essa tarefa cabe à imprensa. Espero somente que acabem. Vamo-nos preocupar, principalmente em proporcionar bons espectáculos e festejos da nossa massa associativa.

NT: Quais as principais diferenças entre a Liga de Honra e a 2ª Divisão Nacional?

DR: Na Liga de Honra erra-se menos e as equipas acabam por ser mais eficazes. Qualidade e equilíbrio são as palavras que melhor caracterizam este campeonato. Não existe nenhuma equipa em que se diga que é fraca e mesmo as mais fortes estão muito próximas das outras que as sucedem.

NT: Os jogadores lesionados são uma aposta segura para a segunda volta da Liga de Honra?

DR: Eu penso que sim, porque dos lesionados um deles é o Vítor, um grande guarda-redes que teve o azar de se lesionar logo no princípio da temporada e que está quase recuperado. O outro é o Torres, que fez uma grande época o ano passado no Estoril e que, infelizmente, também teve um infortúnio quando chegou e que agora está a retomar trabalhos. Com a sua integração pretendo que a equipa se torne mais competitiva a nível interno.

NT: Há algum jogador que se sobressaiu até agora na equipa?

DR: Toda a gente fala do Reguila porque faz golos, mas isso só acontece, porque a equipa também os constrói. O Trofense que subiu valeu, sobretudo, pela solidariedade da equipa, por uma boa organização defensiva e ofensiva e de um conjunto de valores que não pensam no individual.

NT: Na sua opinião, a 2ª volta será mais ou menos difícil?

DR: Idêntica, embora mais específica. Toda a gente quererá ganhar e arrecadar pontos, como na primeira volta, mas aproxima-se a altura em que se começam a definir as equipas que vão jogar para subir de divisão e as outras que vão lutar para não descer. Ao Trofense, reverterá de maior importância os confrontos directos com equipas que jogarão para conseguirem a manutenção na Liga de Honra.

NT: O projecto que construiu juntamente com a direcção do Trofense tem dado frutos que estão à vista de todos. Considera que este clube veio trazer-lhe mais visibilidade no mundo de futebol?

DR: Claramente que sim. Depois de uma época que foi fantástica e que todos nós, pessoas que integram o clube, fomos valorizados, tenho muito gosto de estar associado ao Trofense. Neste momento estou a consolidar a minha posição como treinador na segunda liga e que era um dos meus objectivos.

NT: Pretende continuar no Trofense para a próxima temporada?

DR: Se o clube e eu entendermos que sim, porque não? Sinto-me bem aqui e vejo potencial para mais. Seria com agrado levar o Trofense para a primeira liga, meta que poderá concretizar-se a curto prazo. No entanto, nesta altura estamos empenhamos para o objectivo principal que é a manutenção.

NT: Como reagiu aos lenços brancos exibidos por alguns adeptos no jogo CD Trofense – Vizela?

DR: Eu penso que foi um sinal, porque eles sentem que a equipa pode ganhar. Foi um momento de insatisfação, e que só existe porque também existe capacidade. A crítica eu tenho que saber lidar com ela e os nossos jogadores tem que aceitar. Na minha opinião a manifestação foi exagerada, porque temos dado tudo dentro de campo. Se tem faltado concretização não é por vontade. Também sei que poderia ter feito um pouco mais, como por exemplo, antecipar as substituições e ter agido de outra forma,mas são momentos no jogo em que tem que haver uma análise pormenorizada e o treinador tem que pensar pela equipa toda e ter cabeça fria. Se fiz mal nunca foi no sentido de prejudicar. Mas acredito que acertei muitas mais vezes que errei. Espero que os adeptos tenham alguma paciência.

NT: Quais são as suas aspirações como treinador profissional?

DR: Chegar mais alto ainda, de preferência à frente do Trofense e na primeira liga. Toda a gente sonha treinar equipas de topo, aquilo que penso é chegar patamar a patamar, como fiz até aqui. Comecei como adjunto da 3ª divisão e agora consolidei-me como treinador da Liga de Honra.