O Fundo Europeu de Apoio aos Carenciados é cada vez “mais desequilibrado”. Quem o diz é Daniela Esteves, presidente da delegação da Trofa da Cruz Vermelha Portuguesa, que alerta para as quantidades “desajustadas” dos bens alimentares.

“Dois meses” é o tempo que devem durar os cabazes alimentares provenientes do Fundo Europeu de Apoio aos Carenciados (FEAC), que foram distribuídos, esta semana, pela delegação da Trofa da Cruz Vermelha. Ao longo dos anos, este era um apoio “primordial” para as famílias, mas tornou-se num “complemento” à atuação da delegação face à “diminuição de bens” e “descaracterização” das necessidades, alertou a presidente Daniela Esteves. “Por exemplo, recebemos um agregado familiar com cinco pessoas, que levou seis pacotes de arroz e 39 latas de salsichas. Continuamos a assistir a uma forma desajustada da entrega dos bens alimentares, quando estes devem servir para um ano”, explicou em declarações ao NT.

Este ano, 163 agregados familiares – 463 pessoas – foram contemplados com o FEAC, menos 28 (106 pessoas) que em 2014. Esta redução, alertou Daniela Esteves, “não quer dizer que há menos necessidade”, mas explica-se pelo “curto período” que as famílias tiveram para constituir o processo. “Os agregados só tiveram um mês para entregarem as candidaturas e muitos não se conseguiram organizar para cumprir o prazo, acabando por não serem contemplados. Consideramos que estão em lista de espera, mas não temos uma confirmação sobre o que irá suceder”, afiançou Daniela Esteves.

A presidente da delegação da Cruz Vermelha afirmou que, face à diminuição da quantidade de bens disponibilizados à família, o FEAC “passou de um apoio de primeira linha para um secundário ou terciário”, sendo suplantado pelos apoios alimentares de emergência e pela cantina social. “Uma vez que o pedido para o FEAC é feito em março e os bens só são entregues em finais de outubro, verificamos que as famílias passam a dirigir-se à delegação com mais regularidade a pedir ajuda. Os apoios de emergência tornaram-se regulares e a cantina social tem aumentado, substancialmente, o número de refeições”, explicou.

Face a este cenário, a Cruz Vermelha “tem conseguido responder à crescente necessidade das famílias”. “Até à data, não há nenhum pedido que, sendo elegível, não tenha sido atendido”, afirmou Daniela Esteves.

Para fazer a distribuição deste apoio, a Cruz Vermelha contou com o apoio da sociedade civil. Daniela Esteves agradeceu “a todos os voluntários que organizaram os cabazes, à empresa Transmaia que fez o transporte dos alimentos e à dona Isabel que concedeu o espaço” para fazer a entrega.

 

O que é o FEAC?

O Fundo Europeu Apoio aos Carenciados (FEAC) é uma ação anualmente promovida pela Comissão Europeia, que adota um plano de atribuição de recursos aos Estados-Membros. A delegação da Trofa da Cruz Vermelha participa apenas como “distribuidora” dos cabazes alimentares.