Novo Sentido é o curso promovido pela Cruz Vermelha da Trofa e que pretende dar novo rumo aos desempregados.

“Os desempregados de longa duração, maiores de 18 anos e com baixas competências” têm agora a oportunidade de darem um “Novo Sentido” às suas vidas, através do curso da Cruz Vermelha que se iniciou a 5 de setembro. Este projeto surgiu com o objetivo de incluir estas pessoas na sociedade.

Vera Campos, coordenadora pedagógica do “Novo Sentido”, admite que a maioria destas pessoas “não são chamadas para entrevistas de emprego e não têm colocação no mercado de trabalho”. “Muitas delas na casa dos 50 e 60 anos sentem ainda mais dificuldades em encontrar um emprego”, acrescentou.

Neste curso, os 12 formandos terão a oportunidade de aprender “competências de leitura, matemática e aprender a trabalhar com computadores, que a maioria também não sabe”. A par destes módulos, os alunos falarão de “projetos de vida” e vão aprender a procurar emprego.

“Este curso vai incidir, principalmente, nas lacunas que estas pessoas têm e sentem na capacidade de procurar emprego, tendo já em conta as situações em que estão inseridas”, salientou a coordenadora do curso.

A Cruz Vermelha baseou-se no provérbio “não dês o peixe, ensina-os a pescar” para criar este curso e acabar com os níveis baixos de escolaridade existentes no concelho. Segundo Carla Lima, técnica da Cruz Vermelha, “a Trofa é um concelho com uma escolaridade muito baixa”. “Estamos a falar de cerca de 50 por cento da população, onde estão incluídas crianças, que tem menos que a 4ª classe. É um nível muito baixo”, referiu.

Uma vez que esta instituição fornece apoio alimentar a pessoas carenciadas e tem contacto com as necessidades destes utentes, esta foi “uma forma de quebrar este ciclo de pobreza”, adiantou a técnica da Cruz Vermelha. Oapoio a estas pessoas passa por “ajudas na área da educação”, dando “algumas competências”.

“Estamos a falar de um grupo que já não tem contacto com a escola, em alguns casos, há mais de 30 anos e que nunca foram melhorando as suas competências. Atualmente, as exigências do mercado de trabalho são outras. Assim, é muito complicado conseguirem competir a outro nível”, salientou Carla Lima.

Júlio Guedes é um dos formandos deste curso e encontra-se desempregado há nove anos. Este foi um dos motivos que o levou a frequentar o curso juntamente com a esposa: “Estou desempregado e não estou a fazer nada, pelo menos assim posso distrair-me e aprender alguma coisa mais e no futuro espero conseguir trabalho se alguém precisar”. Este homem de 57 anos encontra-se “pensativo”, relativamente ao início deste curso, uma vez que já não vai à escola há 47 anos: “Vou ver se isto aqui ainda funciona”, brincou, apontando para a cabeça.

Já Cristina Sampaio, outra formanda, espera vir a “ter uma vida melhor” após concluir o curso. “Acho que me vai trazer novas oportunidades de emprego”, afiançou esperançada.

Este curso terá a duração de 309 horas, cerca de cinco meses, e será lecionado por cinco formadores. As aulas vão ser dadas de segunda a sexta-feira, das 10 às 13 horas, nas instalações da Cruz Vermelha, à exceção das aulas de informática, às quartas-feiras, que serão no Espaço t.

 

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