Esta quinta-feira, 8 de setembro, comemora-se o Dia Internacional da Alfabetização e o NT foi até à escola “Aprender a ler, escrever e contar”. São aproximadamente 100 os alunos que frequentam o curso do TCA que promove a alfabetização.

“Hoje cheguei de novo à minha escola, onde estou a aprender a escrever, a ler, a contar e também a ser feliz. Foi aqui que conheci novos amigos e novos companheiros. Sinto que a minha vida mudou para melhor”. Ao ditar da professora Maria Rosa Lage, Alfredo Alves escrevia no quadro, enquanto os outros colegas, sentados nas secretárias, copiavam para os cadernos. Dava-se então início a mais uma aula do curso “Aprender a ler, escrever e contar”, promovido pelo Trofa Comunidade de Aprendentes(TCA).

Maria Ferreira da Silva está prestes a completar 78 anos e o que a fez ingressar neste curso foi a necessidade de querer ler “os muitos livros religiosos” que possui em casa.

No primeiro dia de aulas, esta aluna avisou logo a professora que “não ia conseguir aprender” com facilidade pois “não encaixava” na cabeça ser possível “falar os gatafunhos que escrevia no papel”. Perante as dificuldades, Maria não desistiu e prova disso é que já anda no curso há três anos. É certo que ainda não fez o exame da 4ª classe, mas mesmo assim já deixa os netos cheios de orgulho. “A minha neta disse à mãe que eu sabia aplicar melhor as palavras do que ela e que, por isso, já tinha valido a pena eu ter vindo para o curso”, referiu de sorriso aberto e orgulhoso.

António Faria, reformado de 66 anos, é a prova viva de que se pode completar o Ensino Primário em qualquer altura, basta ter força de vontade. “Já pego no jornal e leio as notícias e, por exemplo, quando vou a um passeio já sei ler o que está nas montras, o que é muito bom para mim”, adiantou o aluno.

No Centro de Aprendizagem do TCA, de S. Mamede do Coronado, a sala de aula acolhe 14 formandos. Estes alunos têm idades compreendidas entre os 37 e os 88 anos e a sua maioria nunca foi à escola. “Estão a ter contacto pela primeira vez com as letras e os números”, frisou Rosa Lage.

Estes alunos são o orgulho da professora a quem coube a tarefa de ensinar a escrever, ler e contar. “Sinto-me muito orgulhosa por eles, porque achavam que não conseguiam, que não eram capazes e foram. No dia do exame eu estava mais nervosa que eles, numa mistura de sentimentos. Estava feliz por vê-los a fazer o exame, porque finalmente foi uma meta que também eu atingi e, ao fim e ao cabo, este foi o dia que lhes mudou a vida. Novas portas podem abrir-se daqui para a frente”, confessou.

Rosa Lage acompanha de perto o desenvolvimento dos formandos de S. Mamede do Coronado, Covelas e Muro e defende que, embora com “algumas diferenças”, “é praticamente a mesma coisa” ensinar crianças e pessoas mais velhas. Ensinar a ler, escrever e contar a quem já tanto aprendeu com a vida não é uma tarefa fácil: “Este é um processo lento e moroso, em que é preciso um acompanhamento diferente”. “Por isso mesmo, os alunos não têm aulas de segunda a sexta-feira, mas apenas uma ou duas vezes por semana durante cerca de três horas”, referiu Cindy Vaz, educadora social e técnica do TCA.

O curso nasceu em 2005 para fazer face ao elevado número de analfabetos no concelho da Trofa. Atualmente, existem 12 grupos de alfabetização (dois em S. Romão do Coronado, dois em S. Mamede do Coronado, três em S. Martinho de Bougado, um em Covelas, outro no Muro, um em Alvarelhos e, finalmente, um em Guidões) dos quais fazem parte nove formadores, todos eles “voluntários”, “sejam eles professores do 1º ciclo aposentados ou aqueles que ainda se encontram no ativo”. “Temos também outras pessoas com outras formações que dispõem do seu tempo para estarem aqui com todas estas pessoas que têm estas necessidades formativas”,afirmou Cindy Vaz.

Esta instituição já levou, através deste curso, sete alunos a exame de 4ª classe, através do processo de RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências) e esperam, até ao final do ano, levar mais 12.

E se conhece alguém que ainda não é capaz de ler esta notícia, ofereça-lhe a possibilidade de ser mais feliz, apresente-lhe este projeto e relembre-o de que “nunca é tarde para aprender”…

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