Depois do roubo de 2500 quilos de alimentos, a Cruz Vermelha da Trofa foi bafejada pela solidariedade. A Galp Energia doou mais quantidade de alimentos do que aquela que desapareceu.

Para uns que tiram, há outros que dão. O pesadelo vivido pelos responsáveis da delegação da Trofa da Cruz Vermelha, com o roubo de duas toneladas e meia de alimentos, foi minimizado com uma doação surpresa.

Na segunda-feira, 2 de janeiro, um camião parou na sede da instituição para repor o que outros haviam tirado e que era para as famílias carenciadas da Trofa. Formandas e voluntárias da Cruz Vermelha descarregaram os alimentos doados pela Galp Energia, que se sensibilizou com a notícia do roubo e até ofereceu mais quantidade de alimentos do que a que foi roubada, na noite de 20 de dezembro. “Veio mais do dobro do leite e da massa que foram roubados”, afirmou a técnica da Cruz Vermelha da Trofa, Carla Lima.

Habituada a dar aos mais carenciados, desta vez foi a instituição a ser bafejada pela solidariedade. Em cerca de meia hora, foram descarregados “1008 quilos de arroz, 500 litros de leite e 500 quilos de massa”. Os responsáveis da instituição não escondiam a satisfação por ver que a solidariedade bateu à porta da Cruz Vermelha. De acordo com Carla Lima, estes alimentos, que inicialmente tinham sido “enviados pela comunidade europeia”, vão “garantir que as famílias tenham o seu cabaz a nível alimentar, adequadamente”.

Com a lágrima no canto do olho, Odete Pedroso, presidente da instituição, afirmava que tinha ganho “o dia”. Depois de a felicidade por ter iniciado o projeto “Porta de Sabores” – refeitório social – ter sido abalada pelo assalto, a responsável da Cruz Vermelha da Trofa voltava a sorrir. “Quando soube da boa nova transbordei de alegria, porque é por isto que eu luto e fiquei muito feliz por saber que iriam retribuir aquilo que me tinham roubado”.

No entanto, a presidente da Cruz Vermelha da Trofa não esquece o roubo: “Ainda não posso perdoar a quem me roubou. Se eu os encontrar, deixo de ser Odete se não fizer justiça”. 

Neste Natal, mesmo apesar do roubo, a Cruz Vermelha da Trofa conseguiu fazer a distribuição normal dos cabazes às famílias carenciadas, à exceção do “açúcar”. “O que fazia falta eram os alimentos para o mês seguinte. Graças a Deus que alguém se lembrou de nós”, afiançou.

Recorde-se que na noite de 20 de dezembro, um assalto no armazém da instituição, em Santiago de Bougado, causou um desfalque considerável nas reservas de alimentos para os mais carenciados.

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