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Edição 468

Crónica Verde: Saudades do milho-rei

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Na segunda metade do século XX, foram introduzidos sementes provenientes de cruzamentos entre plantas que, naturalmente, nunca se cruzariam. Estas sementes produzem plantas mais resistentes a certas doenças e com uma produção muito maior – no caso do trigo, por exemplo, o híbrido produz até dez vezes mais (que o trigo comum).

 Parecia milagre e todos os agricultores se renderem à nova maravilha. Mas, com que custos? As plantas híbridas exigem maiores quantidades de água, adubos e herbicidas que as plantas naturais e, a maior parte das vezes, as sementes guardadas dessas plantas são estéreis, ou seja, não germinam, e as que o fazem não dão a variedade original. Isto obriga o agricultor a ter de comprar, todos os anos, novas sementes. Os únicos que ganham com isto são as empresas de sementes, de adubos e pesticidas, nunca o agricultor. 

Junto com essas sementes, veio a ideia de cultivar apenas uma cultura para melhor mecanizar todo o processo. Hoje em dia, alguns dos “novos agricultores” quase não sabem usar uma enxada e poucos são os que sabem cultivar variedade de alimentos para a sua família. Sabem apenas semear uma só espécie de alimento.

Mas será que esses alimentos híbridos são mais ricos em nutrientes, será que nos alimentam melhor? Nada disso, antes pelo contrário. No caso do trigo, a alteração da proteína é mesmo responsável pelo aumento de cancros e doenças do sistema imunológico. Isto porque o nosso organismo não reconhece a proteína do trigo como alimento mas como uma substância estranha ao nosso corpo e o nosso sistema imunológico dispara, atacando o nosso próprio corpo. Isto provoca inflamação – que pode ser no sistema digestivo, nos nervos ou no cérebro. Como se isso não bastasse, estamos a matar a vida do solo com herbicidas e pesticidas em quantidades nunca vistas e, sem vida no solo, as plantas irão deixar de absorver os nutrientes. Em breve, corremos o risco de ver os campos, outrora férteis e vivos, completamente mortos.

É urgente encontrarmos alternativas a esses pesticidas e adubos e, a boa notícia, é que já existem. Os produtos usados na agricultura biológica, junto com as medidas preventivas usadas por essa agricultura, permitem-nos ter alimentos em abundância, com melhor qualidade alimentar e sem prejudicar o ambiente. As preparações podem ser feitas em casa a partir de plantas selvagens ou que podemos cultivar num canto das nossas hortas. Alguns casos são já famosos e muito utilizados: as urtigas (fertilizante e inseticida), o alho (fungicida e bactericida), a consolda (fertilizante), o absinto (inseticida), fetos (inseticida e fertilizante). Muito fáceis de obter e de preparar, irão ser parte integrante de uma agricultura saudável, sustentável, muito económica e produtiva.

Com a nova diretiva europeia que obriga todos os agricultores a adotarem a Proteção Integrada – que proíbe herbicidas e certos pesticidas –, é urgente que os agricultores se informem das alternativas baratas e eficazes de combaterem os males nas suas explorações e deixarem de acreditar na propaganda enganosa das multinacionais de sementes e pesticidas.

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Em Bougado e no Coronado, vales agrícolas completamente tomados pela ditadura do milho híbrido, urge mudar, com sustentabilidade, enquanto é tempo…

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