Os deputados do PSD, eleitos pelo círculo do Porto, visitaram, na passada semana,o nosso concelho.

Iniciativa a todos os títulos louvável, uma vez que permite aos nossos Representantes na Assembleia da República, por um lado, conhecerem no terreno os anseios, projectos e aspirações da boca dos legítimos representantes das populações -os autarcas- e, por outro, assumirem junto do Poder Executivo, leia-se Governo, a defesa intransigente das populações que representam. A título de exemplo, a visita dos Deputados ao nosso concelho culminou na apresentação de dois requerimentos ao Governo questionando-o sobre os atrasos na construção das variantes rodoviárias á EN14 e EN104 e variante ferroviária da Trofa. Estiveram bem os Deputados do PSD do Porto e a Comissão Política Distrital do PSD/Porto nesta iniciativa.

foto_dr1._joao_s__01022006.jpgOutros exemplos similares têm sido desenvolvidos por outros grupos parlamentares – do PCP ao CDS/PP; infelizmente, só os Deputados do PS parecem ter relutância em visitar a Trofa independentemente de estarem no poder ou na oposição.

Mas voltemos à visita. Infelizmente para a Trofa, os Deputados foram confrontados com a necessidade de um conjunto de investimentos que há muito fazem falta na nossa terra. Há quantos anos reclamámos as variantes rodoviárias? Como é possível ter-se protocolado um acordo para construção da variante ferroviária com a REFER e o Governo em Julho/2003 e, três anos volvidos, ainda não ter saído do papel? Porque razão tarda a decisão em torno da duplicação da Linha do Metro para a Trofa?

Há, inequivocamente, alguma falta de respeito e consideração do poder central para com a Trofa…mas nem sempre foi assim!!

Para sermos justos, importa não esquecer os apoios do Governo de Durão Barroso para o saneamento, a habitação social ou o centro de saúde de Alvarelhos. E convém, igualmente, relembrar que também a Trofa tem que fazer o trabalho de casa, demonstrando credibilidade nas opções e nos projectos que assume.

Que legitimidade temos nós para reclamar investimentos quando nós próprios não somos capazes de concretizar os projectos que apresentámos?

– Em Novembro de 2003, no sexto aniversário da criação do concelho, apresentámos uma parceria publicó-privada para a concretização da Zona Empresarial da Trofa, iniciativa de primordial importância para o nosso concelho. Qual o estado do projecto?

– Qual o ponto de situação do Parque das Azenhas, projecto ambiental tão relevante para a nossa terra?

– Quando vai a Trofa dispor de um instrumento de planeamento fundamental como o PDM?

– Dentro de 7 meses tem início o Quarto Quadro Comunitário de Apoio, diferentes municípios estão a debater e definir as suas estratégias e os projectos essenciais para lhes dar corpo. Qual a estratégia da Trofa para o próximo período de fundos comunitários? Que projectos inovadores e mobilizadores temos para apresentar? Ficaremos à espera das migalhas sobrantes da Junta Metropolitana do Porto?

Estas são questões a que urge responder com eficácia e celeridade…para que nos possamos credibilizar junto de diferentes instituições locais, regionais ou nacionais. E a única forma de um concelho pequeno como a Trofa o fazer é sermos melhores que os outros, demonstrando mais capacidade de trabalho e organização.

Esta tarefa cabe aos autarcas legitimamente eleitos que estão no poder, mas cabe igualmente à oposição que tem como obrigação apresentar propostas, lançar temas para discussão e ajudar a que a Trofa possa concretizar o sonho de se tornar um concelho mais próspero e desenvolvido.

Infelizmente, o índice de desenvolvimento de um concelho não se mede pela quantidade de grandes superfícies comerciais aí existentes…senão, outro galo cantaria!

João Moura de Sá