Durante quatro dias, todos os caminhos foram dar a Covelas. Uma festa que teve uma boa participação por parte da população.

O sol convidava a uma caminhada e todos os caminhos serviam para chegar à Capela de S.Gonçalo. A pé, a cavalo, de bicicleta ou até de moto, muitos foram os romeiros que cumpriram a tradição de vários anos de rumar a Covelas no dia de S.Gonçalo.

Eurico Ferreira é de S. Martinho de Bougado e há cerca de 60 anos que cumpre a tradição de ir ao S. Gonçalo a Covelas. Depois de fazer parte de vários grupos de caminheiros, decidiu, em 1999, “criar um grupo na empresa”, com o nome “www-a-caminhodecovelascomes”. São 17 elementos e, todos os anos, vão a pé até Covelas. “Fazemos este percurso pela estrada, para cá e pelo monte quando regressamos. E vamos agora comer um caldinho de nabos ao restaurante da Avenida e está feita a Festa de S. Gonçalo por mais um ano”, afirmou.

Também Margarida Neto faz esta caminhada, com o seu marido, há vários anos. “É muito bonito, com muita gente e bicicletas. Agora sim, é muito melhor do que antigamente, pois há mais pessoas a caminhar e a pedalar”, acrescentou. Já para Rosário Vaz esta foi a primeira vez que foi até ao S. Gonçalo a pé. Algo que gostou de fazer e promete que, para os próximos anos, “é para repetir”. Carlos Malheiro fez o caminho de bicicleta pelo monte de Paradela. “Não foi caminhada, foi betetada, mas é a primeira vez. Gostei, foi muito interessante, com muita gente. E para nós, ciclistas, o caminho é divertido. Certamente é para repetir para o ano”, asseverou.

José Ramos, pároco de Covelas, aproveitou para salientar que, ao contrário do que se costuma dizer, a festa de S. Gonçalo é uma romagem e não uma romaria. “Na romagem, as pessoas vão pela fé, pela devoção ao Santo, pelas suas promessas. Na romaria o que atrai mais as pessoas é a parte profana, são os conjuntos, os grupos”, explicou. Para o pároco, independentemente dos grupos musicais que possam existir nesta festa, o número de pessoas é “sempre o mesmo, porque elas vêm em romagem”. Um aspeto que faz da festa de S. Gonçalo “única, aqui nas redondezas”. José Ramos salientou ainda o “aspeto gastronómico”, pois, como costuma dizer: “Vir a Covelas em janeiro e não comer umas papas de sarrabulho, é como ir a Roma e não ver o Papa”.

Fernando Moreira, presidente da Junta de Freguesia de Covelas e responsável pelas festas este ano, estava muito agradado com a festa, que “estava a correr muito bem”. “Teve muita gente na sexta-feira e ontem (sábado) foi o fim do mundo. Eu não contava que Covelas recebesse um espetáculo desta natureza. O conjunto teve que continuar até à uma da manhã, porque o povo não se ia embora, queria ouvi-los mais”, garantiu. O tempo “ajudou à festa”, possibilitando um dia agradável para todos os que quiseram participar, pois muitos foram os romeiros que percorreram a estrada ou o Monte de Paradela para cumprirem “as promessas” ou então para provarem o “bom vinho e o rojão”. Já no domingo à tarde, o presidente da Junta de Freguesia, contava com uma grande afluência, pois “é costume, todos os anos, uma grande multidão ver a procissão”.

Dom Manuel Martins, Bispo emérito de Setúbal, também esteve em Covelas para participar na eucaristia e na procissão. O Bispo nunca tinha estado em Covelas, mas ficou “encantado”, com a terra, “que é bonita” e, sobretudo, por todos “os pormenores que andam à volta desta festa, que agrega manifestações de vários géneros”, desde romeiros a cavalo como em bicicleta. Além disso, D. Manuel ficou muito impressionado com a Capela de S. Gonçalo, “que está muito bem arranjada e que fica muito bem situada, no alto de uma colina, com uma visão panorâmica de encantar”. E será que o bispo provou o famoso rojão? Em entrevista ao NT, D. Manuel ainda não sabia o que podia esperar, mas que não se admirava nada de “ter mais uma surpresa”, desta feita a nível gastronómica. No final, o Bispo aproveitou para dar “os parabéns” à população do concelho da Trofa.

Durante estes quatro dias de festa, as pessoas puderam desfrutar do espetáculo do Rancho Típico Santa Maria da Reguenga (Santo Tirso), do Rancho Folclórico Os Camponeses de Navais (Póvoa de Varzim), do Agrupamento Musical Juventude em Força, Grupo musical “Ympério Show”, Banda de Música da Trofa, Fanfarra de Melres e, para o encerramento, os Cantares de Outono.

Bloquearam caminho aos romeiros

Depois de uma noite de sábado em convívio no monte de Paradela, junto ao “Meco da Guerra” e quando regressavam a casa, alguns populares encontraram o caminho bloqueado por algumas dezenas de pedras, que pesavam mais de cem quilos e que apenas algumas horas antes não estavam a impedir a passagem.

A GNR foi chamada ao local para tomar conta da ocorrência cerca das 3.30 horas da madrugada. Com recurso a uma mini-escavadora as pedras foram retiradas para que logo pela manhã, os romeiros pudessem percorrer aquele caminho. Na origem deste ato deverá estar um diferendo causado pela delimitação de terrenos.

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