O coveiro do cemitério municipal de Santo Tirso é acusado de deixar campas por tapar quando o seu horário de trabalho chega ao fim. José Alberto Ascensão, que trabalha há sete anos no cemitério, reconhece que deixa o trabalho a meio por não lhe pagarem horas extraordinárias. A autarquia moveu-lhe um processo disciplinar.

A última vez que um falecido de Santo Tirso ficou com a urna sem cobertura foi há duas semanas. De acordo com Angelina Costa, viúva de Manuel Costa, ninguém esperava tal comportamento do coveiro. O próprio José Alberto cemiteriosantotirso.jpegAscensão admite que não acabou o serviço no passado dia 4.

Depois de os familiares de Manuel Costa deixarem o cemitério, o coveiro, que começava a tapar a urna, interrompeu o trabalho, por se ter esgotado o horário. Eram 18h00.

Segundo um familiar, que pediu o anonimato por recear represálias da Câmara de Santo Tirso, mal o coveiro viu que as pessoas tinham ido embora deixou a urna descoberta. E assim ficou "durante toda a noite e no fim-de-semana", disse.

De acordo com o mesmo familiar, na segunda-feira seguinte o coveiro terá explicado que não recebia horas extraordinárias e que nunca acabava o serviço depois do horário. Quanto a responsabilidades, atribuiu-as à câmara. "Estávamos desesperados, ninguém esperava isto, mas como lhe demos uma gratificação de 20 euros lá acabou o trabalho", referiu. O homem já pediu desculpas à viúva, o que não impediu um procedimento disciplinar a este funcionário, que se manifestou "bastante arrependido".

VERSÕES

CÂMARA

A Câmara Municipal de Santo Tirso diz que não pagará horas extras ao coveiro porque este já tem um ajudante. Esclarece ainda que o funcionário tem tudo em dia, desde 2005.

EMPREGADO

José Alberto Ascensão nega ter as horas extraordinárias já todas pagas. Diz até que tem débitos que "davam para passar férias no Brasil. Garante que tem "tudo registado".

Joaquim Gomes, Porto / in Correio da manha