Quando naquele dia acordamos e pensamos “ainda bem que foi só um sonho”, mal sabíamos que o aterro não era só um tormento, mas sim um daqueles ogres que veio para ficar.

Consoante as “escrituras” da era moderna, presentes na internet em forma de som, ouvimos o Escolhido e seus discípulos a defenderem a vinda de um aterro para a nossa terra. Ouvimos falar desse aterro como se não apresentasse qualquer tipo de ameaça para o nosso concelho, muito menos para Covelas. Segundo elas, este ogre, presente nas ideias da Câmara desde 2017, não é nada malcheiroso e não ameaça, de todo, a fauna e a flora da zona…

Mas, meus caros, vamos parar e prestar atenção ao seguinte: lixo é lixo e nós não o queremos, obrigado. Nem agora, nem depois das eleições! Repito: não queremos Lixo, nem agora, nem depois das eleições!
A vontade de aceitar aquilo que todos os outros negaram não partiu de nós, do povo, mas sim de quem foi eleito para nos defender. Esse alguém tomou todas as iniciativas possíveis para a sua construção, fê-lo sem qualquer consentimento daqueles a que ele serve. De repente, a Trofa parece o recreio de uma qualquer escola onde decorre um jogo de escondidas e apanhadas.

Mas isto não é nenhuma brincadeira. Sendo a CMT um elemento decisivo na defesa de todos os trofenses, acabou por se tornar no nosso maior atacante. E isto nós não podemos, nem vamos aceitar. Uma obra deste calibre exige que todos os órgãos de uma sociedade estejam conectados.

Temos de estar todos, e repito todos, de acordo. Uma obra que promete destruir uma zona florestal – e tudo o que esta envolve – para sempre, não está a ser oferecida como fazem parecer, mas está sim a ser imposta contra toda a população.

Eu sou jovem e, tal como eu, muitos outros jovens trofenses estão cada vez mais atentos à forma como tentam gerir (?) os destinos da nossa terra. Sim, nós, jovens que não temos cor e pensamos pela nossa cabeça, vamo-nos confrontar de frente, e sem medo, contra este tipo de andamento político. Não vamos aceitar hipotecar um futuro devido a caprichos momentâneos.

Pague-se a dívida, sim, mas não em troca da nossa qualidade de vida. Comecemos a implementar, para o bem na nossa terra, políticas que façam sentido, tanto para a Câmara como para nós, trofenses. Políticas que tragam benefícios para o bem comum. Nós não queremos defender cores nem favores, só queremos defender o melhor para a nossa terra.

E o melhor para a nossa terra é que esse ogre se torne apenas num pesadelo e não passe de uma simples e malcheirosa ideia unilateral de quem não nos identifica.

Jorge Moreira, 23 anos,
residente em Santiago de Bougado