Num projecto considerado pioneiro no nosso país e que resultou de uma parceria entre a Câmara Municipal de Santo Tirso e o Centro de Atendimento a Toxicodependentes (CAT) da Boavista, foi hoje inaugurada uma Extensão desse mesmo CAT no Concelho de Santo Tirso. 

 O novo serviço – que funcionará a partir de hoje nas instalações do departamento de Acção Social da Câmara Municipal, junto ao Parque D. Maria II, em Santo Tirso – será gerido por uma equipa constituída pela médica-psiquiatra, Otília José (directora do CAT da Boavista), pela psicoterapeuta Albina Sousa e pela assistente social, Isabel Santos. 

Numa fase inicial, esta consulta descentralizada será feita quinzenalmente no "Centro de Atendimento a Toxicodependentes" de Santo Tirso, sendo que esta periodicidade se adaptará às necessidades sanitárias e sociais sentidas em cada momento. A definição do tratamento a dar aos toxicodependentes e o tipo de apoio a prestar às respectivas famílias será definida pela referida equipa-tipo do Instituto da Droga e da Toxicodependência. 

No caso dos toxicodependentes integrados no programa da metadona, esta ser-lhes-á administrada no centro de saúde da área de residência, sem necessidade de se deslocarem semanalmente ao CAT da Boavista (Porto). Refira-se que no caso de Santo Tirso, o transporte dos cerca de 30 toxicodependentes que aceitaram o tratamento vinha sendo assegurado pela Câmara Municipal de Santo Tirso. 

Na cerimónia de apresentação deste novo serviço aos jornalistas – que contou com a presença de Castro Fernandes, o presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, de Júlia Godinho, a Vereadora de Acção Social da CM e as três técnicas que compõem a equipa que vai coordenar o programa de consultas – a directora do CAT da Boavista, Otília José começou por explicar o modo de funcionamento do CAT da Boavista que, segundo ela "cobre e dá apoio a seis concelhos do distrito do Porto" mas onde "os doentes e os respectivos familiares têm que assumir o incómodo e a despesa das deslocações para tratamento ao Porto". Segundo esta médica psiquiatra "no caso de Santo Tirso fomos sensibilizadas a introduzir uma mudança", ou seja, "em vez de ser a Autarquia a deslocar os toxicodependentes do concelho ao CAT da Boavista, é uma equipa do CAT a deslocar-se – com a quase totalidade dos meios – a Santo Tirso para atender os doentes". A directora do CAT da Boavista concluiu, "agradecendo o apoio da Câmara Municipal quer ao nível da disponibilização de instalações como do apoio que a "equipa de rua", constituída por quatro técnicos camarários. 

Refira-se que a "equipa de rua" da Câmara Municipal de Santo Tirso já anda no terreno desde o Verão de 2005, fazendo o rastreio e a identificação dos casos mais problemáticos, no âmbito do projecto "Santo Tirso: Desafios para a Coesão Social" que a Autarquia candidatou ao Programa Operacional de Educação, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS). 

Para o presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, Castro Fernandes, "esta parceria vai ajudar a combater o problema da toxicodependência" num concelho onde "este problema não atinge as dimensões de outros municípios" mas que importa mesmo assim "partir, desde já, para o seu combate" antes que "o problema se transforme numa bola de neve incontrolável". Para o autarca de Santo Tirso "mais do que saber que este é um projecto pioneiro no país" importa estarmos convencidos que "arranca da melhor maneira e com as pessoas certas", no caso, uma médica, uma psicoterapeuta e uma assistente social "autênticas madres teresas de Calcutá" que, para além de pessoas dedicadas "são técnicas altamente competentes".  

Quando questionado sobre "a bondade deste projecto", Luís Carneiro, um dos sete toxicodependentes à espera da consulta do dia, disse ser "uma óptima ideia ser tratado em Santo Tirso" já que "o pessoal não tem dinheiro para se deslocar diariamente ao Porto". O utente acabou por dizer que o projecto "vai permitir que outros toxicodependentes se desloquem aqui para consulta e tratamento" já que, segundo ele, "a partir de agora as despesas com as deslocações e o tempo que se gasta já não servem de desculpa".