Os tempos que se avizinham não são fácies – Todos o sabemos.

No entanto, nos últimos dias sente-se uma lufada de esperança. A eleição de Pedro Passos Coelho para presidente do PSD, consagrada no Congresso do último fim-de-semana em Carcavelos, trouxe uma nova esperança.

Primeiro, a esperança de uma oposição forte. O espírito de união de propósitos é visível nas palavras e nos actos de todos os candidatos à liderança do PSD, como pode ser constatado pela expressiva votação que a equipa apresentada por Pedro Passos Coelho recolheu dos congressistas.

Pedro Passos Coelho demonstrou maturidade, elevação e inteligência ao convidar os candidatos derrotados à liderança do PSD. José Pedro Aguiar Branco e Paulo Rangel demonstraram dignidade e humildade ao aceitarem o convite para participar na construção das propostas a apresentar aos portugueses.

Segundo, os novos órgãos dirigentes do PSD já clarificaram que não tem pressa de ter o poder pelo poder, querendo fazer oposição construtiva contribuindo com propostas sérias para melhorar a situação económica e social de Portugal e devolver a esperança aos portugueses. 

Depois, e principalmente, porque já começamos a ouvir algumas propostas interessantes como, por exemplo, a saída do Estado dos negócios, o novo formato para a eleição de deputados com o objectivo de os aproximar dos eleitores, a nomeação de pessoas para cargos públicos ser escrutinada por elevados padrões de ética e competência, o voluntariado obrigatório daqueles que recebem solidariedade de todos nós, a reflexão séria do processo de regionalização, a transparência e independência da regulação do Estado e a diminuição do seu peso na economia, o apostar no crescimento da economia e não apenas na sua estabilidade, a exigência na educação, a igualdade de tratamento na justiça e na saúde entre os mais desfavorecidos e os com maiores meios financeiros.

Por fim, e não menos importante, o clima de serenidade, coerência e confiança que emite o líder do PSD, aliando a forma ao conteúdo.

Até Mário Soares, que era a última pessoa que estava à espera de ver elogiar um líder do PSD considera que o Congresso do PSD “abriu um caminho novo e mais inteligente”

Tiago Vasconcelos