Com a autonomia, alcançada em 19 de Novembro de 1998, a Trofa viu a sua história tomar outro rumo. Era o início de uma etapa que leva já cinco anos de altos e baixos e de muitas mudanças. Nove anos depois muita coisa mudou mas a história continua a ser a mesma…

  A Trofa, cidade fundada em 1991, mostrava sinais de crescimento e ansiava ser sede de concelho, o que acabou por acontecer em 19 de Novembro de 1998. para trás ficaram anos e anos de luta de um grupo de trofenses.

A história do concelho remonta a 1836 quando as oito freguesias, que hoje compõem o concelho da Trofa, foram separadas do concelho da Maia para passarem a integrar o de Santo Tirso.

Reza a história que foi a partir daqui que começou a contestação dos trofenses contra a sua integração no concelho de Santo Tirso. Mas foi a partir dos anos 20 que a luta se intensificou e com o salazarismo, o entusiasmo adormeceu durante algumas décadas.

Nos anos 60 a ideia da criação do concelho volta a ganhar força. Em 1981 a meta da cidade com dez mil habitantes foi ultrapassada.

Em 1989 é dado o passo decisivo para a criação da Comissão Promotora do Concelho da Trofa, que toma a liderança do grupo que almejava a autonomia administrativa do território. Apenas dois anos mais tarde, é apresentada na Assembleia da República a primeira petição para a criação do novo município.

Mas foi na Assembleia de freguesia de S. Martinho de Bougado realizada em 14 de Dezembro de 1990 que ficou decidido nomear uma Comissão que teria como primeira finalidade estudar a possibilidade da criação do concelho da Trofa, que deveria abranger as oito freguesias a ocidente de Santo Tirso. Na presidência da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado estava Armindo da Costa Azevedo e na presidência da Assembleia de Freguesia estava Pedro Alves da Costa, ambos autarcas do Partido Socialista que mesmo assim não hesitaram em ir contra o seu partido colocando em primeiro lugar os interesses da Trofa.

A comissão eleita para "comandar" a batalha, constituída por 13 elementos, era mandatada pela Assembleia de Freguesia de S. Martinho de Bougado e dela faziam parte Pedro Alves da Costa, José da Costa Pereira Serra, Aníbal Guimarães Costa, José António da Costa Ferreira, Armando Martins e dela faziam ainda parte Augusto Vaz e Silva, José Gregório Sá Torres, António Sousa Pereira, Francisco Ferreira Lima, Manuel Rodrigues da Silva todos eles fazendo parte da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado e ainda José Luís Campos Reis e Adélio Pereira Serra.

Em Janeiro de 1998 a petição de 91 é actualizada e na memoria descritiva apresentada, fica comprovado que a Trofa, cumpre os requisitos exigidos por lei para ser município. E apenas um mês depois CDS/PP, PCP e PSD apresentam os seus projectos-lei, todos eles diferente mas com um objectivo em comum: a criação do Concelho da Trofa.

Finalmente, a 19 de Novembro de 1998 a Assembleia da República aprova, na generalidade e na globalidade a elevação de Trofa a Concelho. Nas galerias e no exterior da Assembleia milhares de trofenses fizeram a festa com a Banga de música da Trofa a entoar o Hino nacional, seguindo-se depois o Hino da Trofa, acompanhada pela voz das milhares de pessoas que, ainda de madrugada deixaram a Trofa nos cerca de 130 autocarros para ir à Capital buscar o concelho.

 

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"

 

Nove anos já se passaram desde que a Trofa foi elevada à categoria de concelho e a opinião é unânime: "a Trofa mudou".

O NT percorreu as principais ruas do município e quis saber o que pensam os trofenses do seu "novo" concelho.

À pergunta será que valeu a pena tanta luta pela independência, a grande maioria não tem duvidas mas, os mais cépticos, ou menos optimistas, acabam por deixar no ar algumas reticências. Quando confrontados com a pergunta alguns dizem com desânimo: está tudo na mesma. Os políticos são todos iguais, antes das eleições prometem tudo mas depois não fazem nada".

Mas do outro lado da barricada está outra parte da população que continua a acreditar que na Trofa o futuro será risonho e que afinal a luta de tantos e tantos anos valeu a pena. "Pelo menos agora somos nós, trofenses, quem comanda o nosso futuro".

Na edição papel desta semana pode ler o Especial Concelho da Trofa