A atual crise, em que estamos atolados, remonta a um passado não muito longinco em que as opções dos governantes de então foram num sentido de transformar Portugal, num País de turismo e pouco mais. Em troca do “alcatrão”, abandonamos a agricultura, abatemos a frota pesqueira, destruímos o comércio tradicional e quase eliminamos a indústria.

Foram opções erradas, que demonstraram uma falta de estratégia global e setorial e que agora estamos a pagar bem caro. Provavelmente, uma das causas deste descalabro, tem a ver com a inexistência de estadistas na governação do País, em contrapartida com a grande quantidade de políticos impreparados, para não utilizar outro termo menos simpático, que nunca deveriam ter sido escolhidos para a governação dum País, com mais de novecentos anos de história. A gestão dos dinheiros públicos tem sido péssima e agora estamos a pagar a “fatura”.

A diferença, que faz a diferença, entre governante e estadista, é que o governante governa para as próximas eleições e o estadista governa para as próximas gerações. Não temos tido estadistas na governação do País; só temos tido maus governantes e, nalguns casos, até tivemos péssimos governantes. Nas últimas décadas, fomos governados, por políticos que navegaram ao sabor do vento de Bruxelas, em vez de terem governado ao sabor das necessidades dos portugueses.

A estratégia permanente foi a estratégia dos outros, direcionada para os outros, com sabor franco/alemão que nos deixaram, como herança para os nossos filhos, um presente envenenado e um futuro mais que hipotecado! Portugal, que vive hoje uma grave crise financeira, económica, social e política, tem de arranjar urgentemente antídotos eficazes, que evitem o sucumbir da sociedade portuguesa. É preciso, urgentemente, uma mudança de estratégia, que faça mitigar e curar esta situação, que está a ficar insustentável.

A dívida externa, que ronda já os duzentos mil milhões de euros, atingirá em 2014 os 124% do PIB; a recessão económica veio para ficar, sem qualquer indício de querer sair, pois deverá ser uma realidade até ao próximo ano; o desemprego, que está quase a chegar ao milhão de pessoas, arrasta muitos portugueses para a situação de pobreza; as constantes manifestações de rua, que já começam a ser quase diárias, transmitem o descontentamento geral. Os portugueses questionam-se, como é possível que os governantes sejam expeditos a aumentar os impostos e não tenham dado o exemplo de efetuarem cortes significativos nos seus próprios vencimentos e nos vencimentos dos gestores de empresas públicas, que nalguns casos auferem vencimentos de largas dezenas e dezenas, chegando a atingir centenas de milhares de euros por mês?

Os portugueses têm demonstrado um civismo exemplar, mas com o País a continuar neste caminho, poderá levar a uma explosão social, que os portugueses não querem nem desejam, mas sente-se que muitos já estão com a raiva a crescer nos dentes e com vontade de mostrar com mais veemência a sua revolta, pois já estão a ficar cansados de fazer sacrifícios, quando já há muito tempo foram dizimados pelo flagelo da pobreza. Segundo as estatísticas, Portugal tem três milhões de pobres. Esta triste realidade deveria envergonhar esta “União Europeia”. É preciso, urgentemente, fazer crescer a economia do País. A paz social, tão desejada, virá por acréscimo.

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