A primeira exposição de carros e motas clássicos superou expectativas. O Parque Nossa Senhora das Dores encheu-se de pessoas que quiseram ver de perto relíquias com décadas de existência.

O Chevrolet de série, oriundo do Canadá, quase tem a idade do dono. Com 75 anos, esta relíquia de quatro rodas esteve em exposição no Parque Nossa Senhora das Dores, assim como cerca de 140 viaturas de antigamente, que ainda hoje fazem brilhar os olhos de muitos.

Eduardo Reis é o proprietário da viatura mais antiga, que esteve em exposição. “Muitas” histórias se viveram no interior deste veículo como os casamentos dos filhos. Apesar da idade, “tem-se portado muito bem” e mesmo que tenha algum problema “é só chamar a assistência técnica e resolvem o problema”.

Quando questionado sobre o valor do carro, Eduardo Reis foi peremptório: “Pelo valor sentimental que tem não tem preço”.

Com mais quatro carros antigos na garagem e outros dois na Venezuela, Eduardo Reis afirmou que são muitas as vantagens de conduzir um clássico: “São mais resistentes e robustos, porque o pára-choques eram de metal. Hoje são de plástico e deviam chamar-se ‘não me toques’. Depois estes têm linhas muito tradicionais e mais conservadoras”.

Também Magalhães Moreira, vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa, não quis deixar de participar na exposição com o seu Opel Rekord Olimpia, de 1958 e com 1500 cm3 de cilindrada. Este tem um “significado especial”: “Foi o carro do meu casamento há 40 anos e também foi nele que a minha filha mais velha chegou à igreja. Está guardado de origem e há anos em que nem sequer sai da garagem”.

Hoje Magalhães Moreira arrepende-se de se ter desfeito de algumas relíquias como uma motorizada e uma bicicleta, porque considera que “é importante preservar as memórias”.

Muitas mais histórias poderiam, certamente, contar-se com todos os veículos em exposição que atrairam centenas de pessoas ao parque.

A previsão de 80 carros na iniciativa foi largamente ultrapassada por inscrições de última hora. Rui Serra Cruz, presidente do Clube Trofense de Automóveis Antigos (CTAA), fez um balanço positivo da iniciativa que “serviu de chamariz” e que no domingo, devido à elevada adesão, dificultou a organização do desfile que fez honras de inauguração da Super Especial da Trofa.

À semelhança dos carros, também as motas fizeram furor na iniciativa. “Como era a primeira vez que íamos participar com as motas, pensávamos que não iria haver tanta adesão, neste momento também nem sequer identificadores temos que cheguem”, referiu.

A existência de uma associação como a que Rui Serra Cruz preside contribui para a sobrevivência destas viaturas. “Nós incutimos que devemos preservar os carros, porque é aquilo que podemos legar historicamente. Se não fizéssemos isso, a maior parte destas viaturas já não existiam e estariam todas já na sucata”, afirmou.

Para preservar fielmente estas relíquias é necessário “muita dedicação”. “Também há o factor económico, mas se tivermos bastante cuidado consegue-se preservar sem gastar muito dinheiro. Mas sobretudo é preciso ter muita calma e não querer fazer um restauro de um dia para o outro. Temos sócios que demoram sete a nove anos a fazer o restauro”, explicou.

 

É um evento que mobiliza as pessoas”

“Há sem dúvida uma dinâmica muito grande no Parque Nossa Senhora das Dores”. Foi desta forma que Joana Lima se pronunciou sobre o sucesso da exposição de carros e motas antigas. A presidente da Câmara Municipal da Trofa agradeceu ao CTAA pelo apoio na organização: “Sem a sua organização não seria possível, em tão pouco tempo, conseguirmos uma exposição com cerca de 140 carros, 50 motas e ainda algumas bicicletas”.

A edil afirmou que no futuro se levará a cabo mais eventos do género, porque “mobiliza a sociedade”.

“Para o ano esperamos ter o dobro das pessoas, das motas e dos carros. As pessoas sentem-se motivadas e sentem que há realmente alguma animação e alguma coisa que se veja, há um património na Trofa que está escondido nas suas garagens e hoje houve a oportunidade de mostrar aos trofenses”, concluiu.