Central possante, Domingos afirma que "punha a cabeça onde os outros punham os pés". Medo não era palavra que constasse no seu vocabulário: "não tinha receio de me atirar à bola e ficava ainda mais satisfeito quando encontrava um adversário à altura".

   "Estávamos a vencer o jogo da final e estava mesmo a acabar, mas a ansiedade era tanta que tive que dizer ao árbitro para parar com aquele sofrimento. Bastou dar um chuto na bola e ele fez-me a vontade. Acabou-me com o sofrimento". Domingos Peixoto recorda com emoção esta e muitas outras situações como jogador do Trofense entre 1958 e 1963 e desde então como dirigente do clube. Com 70 anos, entrou no "clube de coração", graças ao interesse de um antigo treinador que foi contratado para comandar a equipa da Trofa. "Nessa altura estava na tropa, em Braga, e o meu antigo treinador no Merelinense, António Marques, e fez questão de me levar para o Trofense. Fiz alguns treinos e os directores interpelaram-me no sentido de assinar pelo clube, assegurando-me trabalho e assim foi".

Desde a sua entrada até pendurar as botas, Domingos guardou muitas recordações, entre as quais duas subidas no regional, em jogos com o Desportivo das Aves e Rio Tinto. Central possante, Domingos afirma que "punha a cabeça onde os outros punham os pés". Medo não era palavra que constasse no seu vocabulário: "não tinha receio de me atirar à bola e ficava ainda mais satisfeito quando encontrava um adversário também à altura".

Um mar de recordações

 Quando deixou de jogar futebol, os dirigentes do clube decidiram homenageá-lo, na época de 1968/69, oferecendo-lhe um relógio, que continua a ser seu acessório. "A partir daí continuei no clube como dirigente até aos dias de hoje".

Até hoje Domingos colecciona momentos inesquecíveis que o acompanharão para sempre. Desde as brincadeiras com os colegas no balneário, em que se amarravam as roupas até ao apoio incondicional para a não comparência do Trofense no jogo com o Varzim no célebre ano de 1993, o dirigente confessou que o Trofense será sempre o "clube do coração".

Domingos sublinhou ainda que ganhou muitos amigos em 50 anos como membro do clube: "sou muito acarinhado por todos no clube e até por outras pessoas de fora ligadas ao futebol. Por exemplo, o árbitro Paulo Paraty, na final da Liga Intercalar aqui na Trofa, fez questão de vir cumprimentar-me e levar-me ao encontro do seu pai, que também foi árbitro".

Uma subida emocionante

Como adepto incondicional do Trofense viveu com grande entusiasmo a subida à Bwin Liga, no passado domingo: "foi uma grande emoção. No final do jogo nem consegui conter as lágrimas", referiu.

Grande admirador de Toni, "grande treinador e boa pessoa", Domingos manifestou a vontade de ver o técnico no comando da equipa na próxima época e afirmou ainda que acredita que a equipa vai fazer um bom campeonato na Primeira Liga: "Com muita vontade e sacrifício de todos os trofenses, penso que iremos fazer um bom campeonato".

Domingos deseja, entretanto, que no próximo fim de semana em Portimão, a equipa lhe dê mais uma alegria, sagrando-se campeão da Liga de Honra.

Cátia Veloso