S. Pedro não deu tréguas, mas nem isso impediu os heróis e os vilões das Histórias e Contos da nossa infância de desfilarem pela zona envolvente à estação de comboios. 

O Hino da Trofa, interpretado pelos Head Phone, Orquestra Urbana da Trofa e Rufos do Castro, “abriu” o Desfile de Carnaval da Trofa, que ficou marcado pela chuva. A Avenida foi invadida pelos anões da Branca de Neve, interpretada pela EB1/JI Paranho. Seguiram-se os Três Mosqueteiros, pela EB1/JI Paradela, a história da Bela e o Monstro, contada pela EB1/JI Lagoa, a interpretação do filme RIO pela EB1/JI Finzes, a do Capuchinho Vermelho pela EB1/JI Cedões e a dos SMURFS pela EB1/JI Bairros. A EB1/JI Cerro 1 recriou o Sítio do Picapau Amarelo, enquanto a EB1/JI Cerro 2 recordou a história de Alibaba e os 40 Ladrões. A EB1/JI Estação apresentou a Barbie, a EB1/JI de Portela recriou a história da Carochinha, enquanto a EB1/JI de Querelêdo contou a história da Rapunzel e a EB1/JI Vila representou a história Alice no País das Maravilhas.
Devido às condições climatéricas, as escolas básicas de Feira Nova e de Fonteleite optaram, apenas, por apresentar os carros alegóricos, enquanto as escolas de Esprela e de Giesta não participaram no desfile.

A concorrer ao prémio dos foliões, patrocinado pela Junta de Freguesia de Bougado, esteve a MTV4Dance com os Capuchinhos Vermelhos e a Academia ALVA com os vilões das histórias, que lhes valeu o título de vencedores. Sílvia Cruz, da Academia Alva, sentia que o Carnaval da Trofa “não podia ser” para eles, mas dada “a falta de foliões” consideraram que “seria interessante participar”. A preparação, confidenciou, foi “complicada”, porque estão “no meio de competições e de preparativos para o espetáculo”. “Mas quando o Alva participa, tentamos participar ao máximo e dar o máximo possível de nós. Tentamos trazer a parte má das histórias e dos contos e tentamos fazer algo à Alva”, contou, destacando a participação de “cerca de 70 pessoas” no desfile e de outras que “ajudaram”, sendo que o camião apenas foi preparado no sábado.

“As associações não quiseram” parar o desfile
O Desfile de Carnaval foi organizado pela Câmara Municipal e a Federação das Associações de Pais do concelho da Trofa (FAPTrofa). Duarte Araújo, presidente da FAPTrofa, afirmou que, “este ano”, estavam “um pouco nas expectativas” e tinham “algumas informações de que, eventualmente, a partir do início da tarde poderia haver alguma melhoria”. Como “isso não aconteceu” e dado que “as condições não eram as melhores”, a organização deixou, “um pouco”, a decisão de continuar o desfile “ao critério das associações”. “Uma vez que tinham tido o trabalho com os carros alegóricos, com as roupas e depois de todo o trabalho que tiveram na preparação das coreografias, não atuarem era muito frustrante para as crianças e decidiram que deveriam participar. As condições não foram as melhores, a chuva prejudicou imenso, mas foi o que tivemos”, referiu.
O presidente disse que, durante o desfile, houve “um determinado momento em que pensaram parar, mas as associações (de pais) não quiseram, porque as crianças tinham feito a preparação toda para as coreografias” e queriam “apresentar aos pais o que andaram a treinar”.
A decisão de adiar o desfile não esteve em cima da mesa, pois, segundo o presidente da FAPTrofa, previa-se “melhorias” no domingo. Além disso, para terça-feira previa-se “mais chuva” e depois seria “difícil de adiar por questões religiosas”.

“Por unanimidade de todas as escolas foi decidido não haver classificações”
Durante a entrevista a Duarte Araújo, dois pais da EB1/JI da Estação, do Muro, interromperam-na, para dizer que era “uma vergonha cancelar as votações” para as classificações das escolas, que trabalharam “noite e dia” para se apresentarem no desfile. “Não nos disseram antes de começar o desfile de que não iria haver votações. Mudaram as regras a meio não sei porquê. Os nossos filhos também podiam ter ido para casa, como todos os outros, mas nós trabalhamos imenso neste sentido e é muito lamentável”, disse.
Duarte Araújo explicou que o facto de “não haver classificações foi uma decisão tomada”, por “unanimidade”, pelo “representante de cada escola, que estava no júri”. Segundo o presidente, as associações tomaram esta decisão, porque “não houve condições de igualdade para todas as escolas”. “Houve escolas que fizeram a sua atuação sem chuva, outras com alguma chuva e outras com muita chuva”, completou.

FAPTrofa marca reunião
No final do corso, houve “uma associação de pais” que decidiu que “o elemento que tinha sido escalado para representar a escola não tinha legitimidade para decidir” sobre as classificações. Por essa razão, e como a FAPTrofa “não quer nenhum desconforto”, decidiu “marcar uma reunião para as 19 horas” do mesmo dia, com todos os presidentes das associações de pais, “à exceção da EB1/JI de Vila” que foi representada por outro elemento, para que “fosse novamente analisada esta situação”. Colocada “à consideração das associações de pais”, estas votaram “por unanimidade” não haver classificação do desfile, “inclusive, a associação que tinha mostrado desconforto”. “Acharam que não havia motivos para mudar a primeira decisão”, completou Duarte Araújo.