saldos 

Mais chuva e vento e menos compras. Foi este o espírito no arranque da época de saldos nas ruas da Trofa. Os comerciantes estão desiludidos e os trofenses não pensam gastar muito dinheiro, nem mesmo com diminuições até 50 por cento nos preços.

As ruas pouco movimentadas, as lojas, algumas vazias, e as pessoas que olhavam para as montras carregavam poucos sacos de compras.

Apesar dos preços convidativos, a maioria das pessoas prefere ter os pés assentes na terra e pensar duas vezes na hora de abrir a carteira.

“Efectivamente os saldos são bastante atraentes, têm margens de desconto bastante grandes

mesmo assim tenho que olhar aos valores em causa”, reconheceu Albino Ferreira, que apesar da crise vai aproveitar a ocasião e para “comprar alguma coisa”.

Ana Oliveira, que passeava pela Rua Conde S. Bento, depois de ter estado a namorar um casaco na montra de uma loja garantiu que é com ele que vai fazer a sua primeira compra na época de saldos. “É uma oportunidade que as pessoas têm para poderem comprar peças mais caras que durante o ano não conseguem”, acrescentou.

Aproveitar para comprar produtos de qualidade a baixos preços é o lema de muitos portugueses nesta época e Mário Macedo não foge à regra de quem procura “produtos de marca, ou de melhor qualidade, a preços mais acessíveis”.

Os placards a anunciar os saldos surgem timidamente nalgumas vitrines, as vendas “estão paradas” e apesar de estarem muitas pessoas de férias os comerciantes reclamam da “falta de movimento nas ruas”, adiantou Esmeralda Salgueirinho, gerente da loja de vestuário Razão Boutique.

“A pouca afluência” no primeiro dia de saldos também desmotiva Cristina Maia, proprietária da Vitral, que mesmo com bijuteria, calçado, cintos e muitos cachecóis para o frio a preços mais acessíveis, os clientes eram poucos.

Se a crise afecta o número de vendas, o mau tempo também não veio ajudar. A chuva e o vento acabaram por estragar o dia de compras, principalmente no comércio de rua.

“A época é de crise e as pessoas procuram sempre o saldos, mas para já está um bocadinho difícil, porque também está mau tempo lá fora”, lembrou Joana Pinheiro da sapataria Rosário Alves. Também no mesmo ramo Manuel Freitas, gerente da Marcodré, se queixou do tempo que afectou a vinda das pessoas às compras.

Para contrariar a época de crise e desânimo no comércio Marisa Novo, proprietária da sapataria Di Cristaly, apostou na colocação de letras com destaque na montra que anunciam os 50 por cento de desconto nos produtos no interior da loja. A aposta parece ter sido a mais acertada uma vez que “para primeiro dia correu muito bem”.

Já na Flash Gift a grande maioria das clientes a entrar na loja efectuaram apenas algumas trocas dos presentes de Natal, mas Sílvia Rodrigues está confiante e acredita que “as pessoas ainda não têm a percepção de que já começaram os saldos”.

A época oficial de saldos começou na passada segunda-feira e termina a 28 de Fevereiro.