Para assinalar esta data histórica, a CDU promoveu um jantar, em Guidões, onde reuniu dezenas de simpatizantes dos valores de Abril.

 A CDU organizou um jantar para assinalar a Revolução dos Cravos na freguesia de Guidões, na noite de 24 de Abril, onde várias dezenas de simpatizantes marcaram presença e ouviram cânticos alusivos ao dia.

Para Atanagildo Lobo, militante da CDU “mais do que assinalar os 36º aniversário do 25 de Abril”, é importante “pensar o futuro”. “Relembrámos e fazemos homenagem a quem contribuiu para o 25 de Abril, mas (este jantar) é, sobretudo, um convívio a pensar no futuro e na mudança desta política”, explicou.

Atanagildo Lobo defende que após o 25 de Abril houve um período de política “diferente”, depois disso, “chegámos à conclusão que, efectivamente, não é esta a solução, nem é esta (política) que vai resolver os nossos problemas, sobretudo os dos mais desfavorecidos”. O comunista teceu, ainda, críticas ao PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento): “O PEC que foi feito significa tirar mais um bocadinho aos pobres para dar àqueles que são muito ricos”. “Não é assim que vamos resolver o assunto”, frisou, ao mesmo tempo que ressalvava a importância de uma “justiça fiscal equilibrada e justa, permitindo um acesso à justiça democrática para todos e não só para os que têm muitos rendimentos”.

“Enquanto não tivermos uma escola que funcione para todos, enquanto não tivermos um sistema de saúde eficaz e enquanto não tivermos uma política de pleno emprego, fará sentido comemorar o 25 de Abril, para prosseguir os seus ideais, que estão plasmados na Constituição da República”, rematou Atanagildo Lobo, ao mesmo tempo que lamentou que “a esquerda no seu todo, não seja verdadeiramente uma esquerda”.

Nem só os que viveram de perto a Revolução de Abril dão valor ao seu significado. Bráulio Costa, simpatizante da CDU, tem 20 anos e acredita que “é realmente importante” assinalar a data, já que foi nesta altura que “Portugal conseguiu a sua verdadeira independência”. O jovem guidoense tornou relevante “o papel do PCP para que a Revolução se concretizasse”, permitindo “a liberdade de voto, a liberdade de expressão, o que fez com que a sociedade vivesse de forma mais saudável”. Confrontado com o desinteresse dos jovens pelo 25 de Abril, Bráulio Costa defendeu que “a juventude de hoje não tem uma noção tão clara como aquela que têm as pessoas que viveram a Revolução”rematou.