O Presidente da Republica visitou, durante dois dias, vários organismos e instituições onde a Inovação e Desenvolvimento são a palavra de ordem.

A Bial prevê lançar no mercado mundial o primeiro medicamento de raiz e patente portuguesa em 2008, anunciou o Presidente do Grupo, Luís Portela, durante a visita do Presidente da República, no âmbito das primeiras jornadas do “Roteiro para a Ciência”,

Cavaco Silva iniciou as jornadas dedicadas à investigação e desenvolvimento na Bial, o maior grupo farmacêutico português, instalado na Trofa, que vai lançar no mercado mundial, dentro de dois anos, um antiepiléptico totalmente concebido e produzido em Portugal. Na primeira visita a uma unidade empresarial, ao fim de cem dias de mandato, Cavaco Silva elogiou a farmacêutica por ter uma “visão de futuro” e apostar em pessoal altamente especializado (tem 18 doutorados nos seus quadros).

A Bial que tem já registado o seu antiepiléptico na Organização Mundial de Saúde (OMS) como eslicarbazepina. Este medicamento encontra-se na terceira fase dos ensaios clínicos, os quais têm comprovado a eficácia e boa tolerabilidade da molécula desenvolvida no Departamento de Investigação e Desenvolvimento da Bial.
Os ensaios de fase III têm como objectivo provar a eficácia do novo medicamento e são decisivos para a aprovação pelas autoridades sob o ponto de vista regulamentar. Estes ensaios devem “cobrir um grande número de países do Mundo, dado que para que um novo medicamento possa ser usado à escala mundial a sua eficácia tem de ser comprovada nas populações de diferentes raças”, frisou o responsável da Bial.
Este será o primeiro fármaco de raiz portuguesa e que está já, segundo Luís Portela, presidente da Bial, “ está a ser testado em 26 países (África do Sul, Alemanha, Argentina, Áustria, Brasil, Croácia, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Hungria, Lituânia, Polónia, Portugal, Reino Unido, Rússia, Suécia, Suiça, Ucrânia entre outros), envolvendo mais de mil doentes.
No final da visita, em declarações aos jornalistas, o Presidente da República defendeu ” duas palavras-chave para a capacidade competitiva que são conhecimento e inovação”, admitindo que “Portugal tem que fazer o possível para atrair algum investimento estrangeiro e apostar na criação de empresas de elevada tecnologia”.

“Penso que Portugal tem vindo a fazer, nos últimos tempos, a aposta correcta”. No entanto, o investimento nestas áreas continua a ser insuficiente: apenas 0,8 por cento do Produto Interno Bruto e um contributo das empresas privadas muito abaixo da média europeia (0,3 cento em Portugal, enquanto na União Europeia é 1 por cento). Depois da Bial e companhado pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, Cavaco Silva visitou os Institutos de Biologia Molecular e Celular e de Engenharia Biomédica (IBMC/INEB), da Universidade do Porto.

Em conversa com o director do IBMC, Alexandre Quintanilha, o Presidente admitiu que se deve “difundir a cultura científica para atrair novos valores” e contrariar o desconhecimento da população portuguesa sobre o que se faz na área.

“Os cientistas estão a trabalhar no segredo dos seus laboratórios e lá fora não se sabe”, disse. Em resposta, Alexandre Quintanilha lembrou o papel dos ministros e do Presidente da República no apoio à divulgação da ciência.

Relativizando a ideia da “fuga de cérebros” para o estrangeiro como um fenómeno europeu e não apenas português, Quintanilha acrescentou que o instituto não está a atrair “apenas aqueles jovens que foram lá fora fazer o doutoramento e voltaram”, mas “pessoas que criaram a carreira científica lá fora e querem vir para Portugal”.

Cavaco Silva propõe provedor para PME’S

O Presidente da República, Cavaco Silva, sugeriu esta terça-feira a criação de um “provedor para as pequenas e médias empresas” para ajudar estes agentes económicos a superarem “dificuldades administrativas e fiscais” que os agentes políticos ou administrativos ignoram.

“Talvez precisássemos como que um provedor para as pequenas e médias em presas, que fosse um guichet que recebesse as queixas administrativas e fiscais dessas pequenas empresas (…) temos provedores para tanta coisa (…) talvez nos falte um para as pequenas e médias empresas”, disse Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas no final do Roteiro de dois dias que dedicou à ciência.

Depois de ter almoçado, em Coimbra, com um grupo de jovens empreendedores, o Chefe de Estado apontou as “dificuldades administrativas e fiscais que as empresas enfrentam – que as levam muitas vezes a instalar-se no estrangeiro ou a não criar postos de trabalho – «coisas simples» que muitas vezes “o decisor político, o director-geral, o secretário de Estado não conhece”.

O “provedor para as pequenas e médias empresas” serviria, especificou, “não para tratar de dinheiros”, mas “para resolver pequenas questões burocráticas com que estes agentes económicos são confrontados”.

O Chefe de Estado admitiu também que o capital de risco para apostar em novos negócios, nomeadamente de base tecnológica, é “às vezes” escasso, mas considerou não ser esse actualmente o principal obstáculo que enfrentam as pequenas e médias empresas emergentes.