Comemorou-se no passado dia 25 de Abril, 34 anos da Revolução dos Cravos.

 Revolução que terminou com uma ditadura de 48 anos e restitui aos portugueses a liberdade de pensamento e de expressão, sem censuras e sem medos.

Cansados da opressão que nos afastava da Europa e que nos isolava do mundo, um grupo de homens e mulheres de grande coragem e determinação, encabeçados pelo capitão Salgueiro Maia, criaram uma força denominada Movimento das Forças Armadas e prepararam todos os passos para a reconquista da liberdade.

Ao ouvir na rádio a música de Paulo de Carvalho, "E Depois do Adeus" e de "Grândola Vila Morena" de Zeca Afonso, para sempre ligada ao 25 de Abril, avançaram em busca de um pais livre e democrático.

Não vivi a Revolução nem por mais esforço que faça consigo perceber como seria viver num pais onde não era permitido falar o que pensavas, onde eras vigiado, preso e muitas vezes torturado, onde tudo o que lias, vias e ouvias nos jornais e televisão era censurado.

Recordo que desde pequena a minha avô me dizia que tínhamos de ter muito orgulho da Revolução de Abril porque a par de nos devolver a liberdade foi conseguida sem uma gota de sangue, onde nos canos das armas foram colocados cravos vermelhos.

De facto, temo de nos orgulhar da Revolução de Abril, temos de a comemorar e sobretudo tentar perceber a sorte que temos de viver em liberdade e em democracia.

No discurso das comemorações do 25 de Abril, o Presidente da Republica, Professor Aníbal Cavaco Silva, mostrou-se impressionado com o alheamento dos jovens da vida politica e com ignorância quanto à Revolução de Abril.

Munido de um estudo realizado pela Universidade Católica o Presidente da Republica, afirmou que se os jovens não estão interessados na vida politica é porque a politica e os seus agentes não foram capazes de os motivar para uma participação mais activa.

Sem duvida.

Mas importa salientar alguns pontos.

É que o próprio Presidente da Republica, não se pode esquivar a algumas criticas e responsabilidade, não só como politico mas também como professor e cidadão e responsável pela formação de muitas opiniões.

De facto, os jovens consideram os políticos pouco credíveis, muitas vezes mentirosos.

Concordo que muitas vezes seja difícil acreditar na classe politica porque muitos contribuem sistematicamente para tal imagem negativa.

Como é possível que o Sr. Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira, se recuse a receber o Presidente da Republica Portuguesa na Assembleia Legislativa da Madeira, alegando que não queria apresentar "aquela gente a ninguém" e considerando um "bando de loucos" quem foi eleito democraticamente pelo povo?

Assim é difícil os jovens sentirem vontade de participarem activamente na vida politica!

Liberdade sim, mas a nossa liberdade termina quando começa a liberdade dos outros!

Mas o que realmente importa é que todos nós, pais, políticos, educadores, formadores de opinião, cidadãos em geral possamos contribuir para que os jovens se sintam mais próximos da política, sintam que podem ser ouvidos e valorizados mas sobretudo entendidos e respeitados.

Que o espírito de Abril e os seus ideias estejam sempre presente e que nunca esqueçamos a força e o significado da palavra liberdade, respeito, democracia e igualdade.