O Clube Académico da Trofa (CAT) já viveu dias felizes, mas atualmente atravessa momentos difíceis. Desde a época passada que a situação financeira do clube tem vindo a degradar-se e por isso mesmo as expectativas para este ano são baixas.

Na última época, o CAT teve de fazer das “tripas coração” para conseguir aguentar-se em competição. Desde que o clube foi criado, em 2004, que nunca tinha passado por tamanhas dificuldades financeiras. A alguns dias de se iniciar o Campeonato da 1ª Divisão Nacional de voleibol feminino, o clube trofense decidiu participar e enfrentar todas as adversidades que persistem em permanecer.

Este ano, o CAT pretendia poupar dinheiro nas contratações de jogadoras e ter um plantel totalmente nacional, mas o objetivo não foi conseguido e como tal teve de recorrer a atletas internacionais. “Este ano, temos uma equipa muito jovem, com uma média de idades entre os 20 anos. É evidente que queremos ganhar, mas tenho consciência de que não tenho equipa para isso”, asseverou o treinador Manuel Barbosa.

Ganhar jogo a jogo é o objetivo a curto prazo a que o técnico se propõe. “Na primeira fase o clube propõe-se a tentar ganhar o maior número de jogos. Este ano não podemos partir do início a dizer que vamos ser candidatos a alguma coisa. Vamos ser candidatos a lutar em todos os jogos e a continuar a elevar o nome do clube”, adiantou.

O treinador admite que vai fazer todos os possíveis para que o Académico da Trofa esteja entre as quatro equipas do play-off. “O primeiro objetivo é metermo-nos entre os quatro, depois é ir à final e ganhar. Estamos certos de que será muito complicado de alcançar, mas vamos lutar para isso”, afirmou convictamente Manuel Barbosa.

O treinador do CAT acredita que nas alturas menos boas a “união faz a força” e por isso mesmo espera continuar a contar com o apoio de todos para honrar o nome do CAT. “Algumas pessoas do clube tentam fazer um esforço tremendo para que não acabe uma instituição que teve início há sete anos, que tem vários títulos e que é não só uma referência nacional no panorama do voleibol feminino, mas também para o concelho da Trofa”, afirmou Manuel Barbosa.

Apesar de ter seis meses de salários em atraso e de já ter sido convidado a treinar outras equipas, Manuel Barbosa quer continuar a fazer parte da história do CAT. “Eu não gosto de fugir nos momentos difíceis. É verdade que já tive propostas para treinar outros clubes, até cheguei a refletir sobre elas, mas tenho um carinho muito especial pelo clube, uma vez que o ajudei a crescer ao longo destes sete anos e isso faz com que eu não o consiga abandonar”, afirmou.

Com todas estas dificuldades que o CAT atravessa, muitas foram as atletas da época passada que abandonaram o clube, uma situação que por um lado entristeceu o treinador, mas que por outro lhe deu mais forças para enfrentar as adversidades. “Manteve-se a Joana Reis e a Sílvia Salazar, o resto saiu, pelas mais diversas razões. Quem quis ficar ficou e quem quis sair saiu. É certo que o clube continuou e as pessoas que ficaram são tão ou mais importantes do que as que saíram, uma vez que estão a defender o clube e as próprias pessoas que saíram porque assim podem vir a ter a possibilidade de receber”, adiantou Manuel Barbosa.

Joana Reis, sub-capitã da equipa, admitiu ao NT que o facto de ter crescido no CAT e de ter para com o seu clube de formação laços de amizade muito fortes foi o que a fez continuar. “O facto de eu ter começado neste clube, de eu acreditar nas pessoas que continuam à frente dele bem como na equipa técnica, o facto de eu acreditar no projeto que o CAT tem e sempre que precisei o clube esteve presente, tudo isso fez com que eu não abandonasse o Académico da Trofa ao contrário das minhas colegas que saíram e que se calhar esqueceram-se de tudo isto”, referiu.

A atleta espera esta época vir a ser mais prestável à equipa, já que no ano passado jogou poucas vezes, “Eu trabalho sempre para jogar como titular, o ano passado não tive tantas oportunidades porque era o meu primeiro ano como sénior e as minhas colegas tinham mais qualidade do que eu, mas este ano quero muito jogar, vou trabalhar para conseguir os meus objetivos”, afirmou Joana Reis.

A atual capitã de equipa, Luísa Rocha, é nova na equipa, mas chegou cheia de vontade de conquistar títulos para o CAT. “A nossa forma de estar como atletas e como jogadoras é sempre dar o máximo e poder ajudar a equipa a crescer, a criar condições de trabalho fortes para podermos ter um coletivo interessante. Todos os jogos são desafios, portanto treino a treino, jogo a jogo, vamos criando condições para que isso aconteça”, afirmou sorridente.

Esta atleta já passou pelo Atlético VC de Famalicão e pelo Braga e ser jogadora do CAT era um sonho há muito pretendido e que acaba de realizar. Luísa Rocha sempre ambicionou jogar num clube de referência: “Como toda a gente sabe, o CAT é um clube de referência, com uma história de sete anos de voleibol, e com muitos títulos ganhos e por isso mesmo sempre tive muita vontade de jogar aqui na Trofa”, asseverou.

O CAT jogou em casa a primeira jornada da época frente ao Castelo da Maia e perdeu pela margem máxima (0-3), pelos parciais de 15-25, 15-25 e 23-25.

No final da partida, Paulo Cunha, treinador do Castêlo da Maia, estava satisfeito com o triunfo inaugural no campeonato, mas preferiu conter a euforia: “Era importante não fazer muitas asneiras.

Apesar de no terceiro set não ter corrido tão bem, conseguimos um triunfo tranquilo”, afirmou.

O técnico não acredita que o CAT seja candidato ao título, referindo que “só o futuroirá dizer”. Manuel Barbosa justifica a opinião de Paulo Cunha com o facto de a formação da Trofa “ter uma equipa completamente diferente dos anos anteriores”.

 

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