O Clube Académico da Trofa vive momentos difíceis. As dificuldades financeiras assolaram o clube, que equaciona o futuro da equipa sénior. O presidente apela à Câmara “para tomar uma posição”.

O primeiro alerta foi dado por Manuel Barbosa, treinador da equipa sénior do CAT. O clube “continua a vencer e a cumprir os objectivos, mas não há atenção virada para ele, quer externa como internamente”, referiu no final do jogo com o Sporting de Braga, no domingo.

O técnico realçou “a excelente prestação do grupo, quer das jogadoras, dos treinadores e do fisioterapeuta, que têm dado o máximo para defender este clube”. “Se calhar noutros clubes muitas já não estavam a jogar”, referiu. O clube tem tido dificuldades em cumprir com as verbas para “associações e federações” e ordenados das atletas, especialmente das brasileiras que vivem apenas do trabalho no CAT.

Mário Moreira, presidente do emblema da Trofa, confirmou ao NT os “graves problemas” por que passa desde o ano passado, devido à quebra de receitas provenientes dos “patrocinadores principais”. Segundo o responsável, a Câmara Municipal – “que atribuía um subsídio de 50 mil euros no anterior executivo” – em 2010 “não deu nada” e para 2011 “ainda nada está definido”. “Não estamos a conseguir tomar conta do recado”, desabafou o presidente do CAT, que assegura que “a única coisa que correu bem, mas que tem um peso relativo, foi o aumento de sócios, que já ultrapassa os 210”.

O presidente atestou que dois terços do orçamento “eram cobertos pelos dois principais patrocinadores, a Câmara e a Real (Seguros)” e que “não se arranjaram substitutos”.

“Pensamos que, mesmo que houvesse uma redução no subsídio da autarquia, dadas as dificuldades que eles demonstram ter, ainda vinha algum, a questão é que em 2010 não veio, além dos apoios de transportes e logística”, frisou.

Perante as dificuldades financeiras que assolam o clube, a continuidade do plantel sénior está comprometida. Mário Moreira considera que “os clubes não devem ser subsídio-dependentes, mas devem ter o apoio em função dos seus objectivos e da sua qualidade”.

“Somos o único clube do concelho com títulos numa primeira divisão, com Taças de Portugal, em seis anos já temos o palmarés que temos, pelo que as pessoas têm que se definir. A autarquia vai ter que tomar uma posição, porque também lhe compete subsidiar muita coisa”, asseverou.

Para Mário Moreira, “a política desportiva é muito importante, porque é ela que faz movimentar o concelho”.

O apelo surge de uma forma “não egoísta” – “que toda a gente ajude o desporto na Trofa” – e alarga-se “às empresas”, porque “a vida dos clubes depende da sua boa vontade”, frisou.

“A questão fundamental é saber que tipo de clube a Trofa quer. Um clube que lute para ser campeão nacional? Que lute pela Taça de Portugal? O clube é da Trofa, não é nosso”, frisou.

O treinador Manuel Barbosa manifestou a sua mágoa pelo facto de “haver um ou dois directores” que trabalham e “do resto da direcção ninguém sabe onde pára”. O presidente do emblema confirma este cenário, referindo que “é preciso mais gente para trabalhar”.

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