Não pode afirmar-se que seja uma festa tradicional na Trofa. Tem cerca de trinta anos e pode dizer-se que a tradição se vai afirmando.

Tudo começou por uma iniciativa dalguns estabelecimentos comerciais, nos anos 70. Alguns estabelecimentos de café organizaram um concurso de mascarados, na época de Carnaval (salvo erro, na véspera), que mereceu uma enorme adesão. Tal foi o sucesso, que passado pouco tempo, começou a organizar-se um corso carnavalesco.

Afonso Paixão.jpgO Carnaval na Trofa passou a ser muito concorrido e um dos maiores, se não o maior, a norte do rio Douro.

Os Bombeiros (A.H.B.V.T.) passaram a organizar e o Carnaval da Trofa atingiu o seu apogeu. Eram milhares de pessoas que assistiam ao corso que acontecia todos os anos.

Ao fim dalgum tempo, porque a nau começava a ser demasiado pesada, e os apoios se mostraram insuficientes para tão grande nau, a Associação Humanitária deixou de organizar o corso no dia de Entrudo.

Mas, apesar de não haver festa organizada, continuavam a comparecer muitas pessoas (centenas? milhares?) na esperança de que acontecesse alguma coisa. E acontecia: muitos mascarados acabavam por se concentrar no centro da cidade e havia sempre uma festa improvisada e sem os êxitos anteriores.

E o povo continuou sempre a comparecer não se conformando com a inexistência da festa.

Até que um dia a Comissão Instaladora organizou, a partir das escolas e das Juntas de Freguesia, o corso que sempre teve a adesão e o apoio, popular, sempre indispensável nestas iniciativas.

Recomeçou de maneira relativamente pobre, mas o povo compareceu sempre porque não estava disposto a não festejar, ou a ter necessidade de se deslocar para longe para festejar o Carnaval.

A iniciativa tem-se mantido e as nossas escolas, e as próprias Juntas de Freguesia, têm-se mostrado indispensáveis.

O desfile de Carnaval pode ser uma tarefa trabalhosa mas é compensadora. O povo, com a sua comparência, dá as maiores garantias de sucesso.

O trabalho incansável das escolas, desde as Associações de Pais até aos professores e os apoios inevitáveis e indispensáveis das autarquias, são outras das garantias de sucesso. As pessoas sentem-se motivadas para uma causa comum.

No futuro, talvez o modelo tenha que ser revisto. É que o povo vai passar a exigir mais e a Câmara terá de se debruçar sobre uma forma de obter patrocínios para que o Carnaval da Trofa ultrapasse a inevitável crise de repetição que vai acontecer, mais ano menos ano.

Talvez o alargamento e não a substituição. Isto é: nunca pode tirar-se às crianças o seu lugar no nosso Carnaval. De certa forma têm o mérito de não o terem deixado cair.

Esse alargamento será feito a grupos que não tardarão a constituir-se, a exemplo do grupo de samba que muito tem contribuído para o êxito do Carnaval.

Chegados a este ponto, entrámos num caminho sem retorno. Não pode haver pressas, mas há que ter consciência que, num futuro muito próximo, o nosso modelo de Carnaval terá que ser ampliado, mantendo os que, pelo seu próprio mérito, “seguraram” o nosso corso, e alargando àqueles que. A curto prazo, quererão participar e aumentar o seu brilho.

Trará benefícios para a economia local, motivará as pessoas para a causa, contribuindo para a coesão municipal e beneficiando o nosso turismo.

Como disse, sem pressas nem precipitações, apenas com a consciência do que poderá acontecer no futuro.

Todos seremos beneficiados: que participa e quem assiste porque o povo precisa de alegrias e está disponível para estas organizações.

Afonso Paixão