Grupos folclóricos de várias regiões do país estiveram na Trofa para recordar tradição, com cantares ao Menino, numa encontro promovido pelo Rancho das Lavradeiras da Trofa.

Desconhecido por uns e esquecido por outros, o jogo do rapa fez parte das brincadeiras de muitas crianças trofenses, sobretudo na quadra natalícia, quando era jogado a pinhões. No entanto, este fruto seco não era comprado num qualquer supermercado. As pinhas eram queimadas nas lareiras e nos lares e o “casco” era guardado para que, em dias de tempestade, as pessoas o atirassem à fogueira e afugentassem o mau tempo. Esta tradição, apagada pelo tempo e pelo desenvolvimento, foi trazida de novo à actualidade durante o XIV Encontro de Janeiras e Cantares ao Menino, promovido pelo Rancho das Lavradeiras da Trofa, na noite de sábado, já que o grupo trofense ofereceu como lembrança de participação no encontro o jogo do rapa e pinhões.

O frio não afastou o público que assistiu à actuação de cinco grupos diferentes, no salão polivalente dos Bombeiros Voluntários da Trofa. Os primeiros a subir ao palco foram os elementos do Grupo de Danças e Cantares Regionais da Feira (Santa Maria da Feira). Depois foram os “vizinhos” do Rancho Regional de Fradelos (Vila Nova de Famalicão), que recordaram algumas das canções típicas da quadra. A meio da noite actuou o grupo anfitrião, que foi seguido pelo Rancho Folclórico “As Lavradeira de Pedroso”, de Vila Nova de Gaia. A encerrar as actuações, o Grupo Etnográfico da Região de Coimbra arrecadou muitas palmas do público, com a última canção – “Ó anjos cantai comigo” – a ser entoada em conjunto por membros de todos os grupos.

No final, Luís Elias, presidente do Rancho das Lavradeiras da Trofa, mostrou-se satisfeito com o desenrolar da noite: “É uma maravilha ter os grupos que cá tivemos, nomeadamente, o Etnográfico da Região de Coimbra, que fez questão de dizer, Bombeiros da Trofa em torneio de futsal clara e inequivocamente que é um grupo amigo e que marca em qualquer lugar onde actue”. “Foi um fecho de noite muito agradável”, acrescentou.

O presidente da colectividade assegurou que, “se a saúde permitir”, o encontro de janeiras ou cantares ao menino “é para manter”.

 

Rancho das Lavradeiras da Trofa tem “marca própria”

Luís Elias acredita que “o folclore não se esgota no dançar e cantar”. O Rancho das Lavradeiras da Trofa lançou há pouco tempo uma marca própria, com o intuito de vender licores e bolachas artesanais em algumas lojas gourmet do país. “Existem outros usos e outras tradições, com costumes próprios de fazer doces e licor e é precisamente isso que estamos a fazer”, explicou. Entre os produtos estão “uma espécie de bolachas conventuais” e cinco licores diferentes, vendidos em garrafas “artísticas” . Um destes néctares chama-se “JSL” e é uma  homenagem ao “saudoso amigo do rancho”, Joaquim Sampaio Lopes.

A colectividade espera com estes produtos conseguir alguns “apoios que a autarquia da Trofa não pode conceder por não ter meios”.

Na Trofa, pode encontrar à venda as bolachas e os licores na loja Sanimaia, em Santiago de Bougado. Estes produtos estão também disponíveis em Aveiro e Luís Elias assegurou que o grupo vai tentar colocá-los “em lojas de referência em todo o país”, pois esta “também é uma forma de divulgar o nome da Trofa e do Rancho das Lavradeiras”.