“Á Conversa Com” foi a demonização dada pela ADAPTA – Associação de Defesa do Ambiente e Património da Trofa – para um ciclo de debates com os cinco candidatos à Câmara Municipal da Trofa.

Durante uma semana, José Moreira da Silva, elemento da direção da coletividade questionou-os sobre que propostas têm para o ambiente e património do concelho.

Pedro Costa, presidente da ADAPTA, afirmou que o objetivo de conhecer as propostas dos candidatos “foi plenamente conseguido”. “Houve várias ideias que nos agradaram, agora vamos esperar que ponham em prática”, sublinhou

Já Moreira da Silva fez um “balanço positivo”, já que “ultrapassou em grande as expectativas” criadas. “Foi agradável para nós haver adesão das pessoas. Também foi muito satisfatório termos a aceitação de todos os candidatos”, ressalvou.

O moderador das conversas considera que os candidatos “precisam de amadurecer bastante” o entendimento que têm do ambiente e património, já que “parece que os secundarizam”.

Confira as propostas apresentadas pelos candidatos.

 

Conceição Silva – CDU

A candidata da CDU defende a “despoluição do Rio Ave” e a “requalificação das suas margens”. Para Conceição Silva, “é premente fazer ver às pessoas a importância de fazer a limpeza das matas e dos rios”. Nestes locais, sugere, devem ser criados “espaços de atividade ao ar livre”. A candidata propõe ainda a “assinatura de protocolos com universidades” tendo em vista “a preservação do património junto às margens ribeirinhas”.

Para prevenir a ocorrência de incêndios, Conceição Silva propõe “a limpeza das matas” e a “reflorestação com espécies autóctones”. A mata “deve ser encarada de outra forma que não um simples negócio”, por isso, a candidata sugere que “deve haver regulamentação” que limite a área de eucaliptos.

Conceição Silva defendeu ainda as áreas de reserva natural e agrícola, relembrando a oposição à construção da Plataforma Logística, no vale do Coronado.

Já a água, assegura, “é um bem público”, pelo que a instalação da rede de abastecimento, assim como do saneamento, “deve ser concluída o mais rápido possível”.

 

Gualter Costa – Bloco de Esquerda

A reabilitação urbana é uma “prioridade” para Gualter Costa. Para além de defender a transformação de vários acessos, como a Rua Conde S. Bento, em zonas pedonais e de convívio, o candidato do Bloco de Esquerda considera premente “reforçar a ligação com as associações” e “fazer uma avaliação estratégica do ambiente”. O bloquista, que é adepto de “eventos e percursos pedonais e ciclísticos”, propõe também a “proliferação de zonas verdes” no concelho, assim como o trabalho de “despoluição do Rio Ave e ribeiros” e “monitorização da qualidade da água, solos e ar”. Neste sentido, defende uma rede de transportes públicos, como “o metro” e “pequenos autocarros”.

Do ponto de vista patrimonial, Gualter Costa sugere a “proteção” do Castro de Alvarelhos, vale da Sardoeira e estações de comboio desativadas. Estas podem servir que podem servir de Centro Municipal da Juventude (na da Trofa) e “um polo” da Casa da Cultura (na do Muro).

Para a defesa das florestas contra os incêndios, Gualter Costa considera importante “a identificação dos pontos negros, ou seja, de áreas que ardem normalmente”, reforçando aí “o patrulhamento” e fazendo “o planeamento de acessos, zonas corta-fogo e charcas”. A reflorestação com espécies que “ardem com mais dificuldade” é outra das propostas do candidato do BE para prevenir os fogos. Sobre os edifícios, devem existir “identificação das matérias perigosas existentes e tipo de revestimento”. “Identificar todas as empresas poluentes”, “fazer planos de emergência”, “prevenir os riscos ambientais nas estradas” e “desenvolver práticas municipais respeitadoras dos direitos dos animais” são outras das sugestões do bloquista.

Em caso de inundações, Gualter Costa propõe a “identificação e inventariação das zonas suscetíveis à ocorrência de cheias, correção de zonas com grande impermeabilização dos solos e elaboração de um plano de limpeza contínua das sarjetas e cursos de água”.

 

Sérgio Humberto – PSD/CDS-PP

O candidato pela coligação do PSD/CDS, Unidos Pela Trofa, propõe a criação de um grupo de voluntários e do cargo de diretor da Proteção Civil Municipal. Para Sérgio Humberto, esta figura, que “não ficaria cara” à autarquia, “é de extrema importância” para a segurança e salvaguarda do ambiente e património do concelho, por “estar disponível 24 horas em contacto com a população e associações”. Também “a criação de uma carta de riscos”, afirmou, “é de extrema necessidade”.

No plano ambiental, o candidato considera premente “a requalificação das margens do Rio Ave”, ação que tem que também contemplar a despoluição dos cursos de água.

O “ataque à poluição sonora e atmosférica”, assim como a criação de uma “política de transportes públicos”, com o “possível” envolvimento de “uma ou mais empresas privadas” foram outras das propostas apresentadas.

Sérgio Humberto apontou ainda para a “potenciação” dos parques e zonas verdes do concelho, denotando que, por exemplo, o Monte de Paradela e a Quinta de S. Romão, “têm um potencial enorme”.

Já do ponto de vista da organização florestal e prevenção dos fogos, Sérgio Humberto apontou para a necessidade “substituir os eucaliptos por outro tipo de árvores”, assim como “fiscalizar” os “terrenos privados” de “loteamentos”, que “não são devidamente limpos”.

O candidato sugeriu, do ponto de vista patrimonial, “potenciar as rotas dos caminhos de Santiago, dos santeiros e dos agricultores”. No que toca à defesa dos animais, propõe a criação de um “canil intermunicipal”.

 

Joana Lima – PS

Joana Lima aponta o ano de 2014 para a conclusão da rede de saneamento e abastecimento de água.

Como prioridades ambientais, a socialista elencou a 2ª fase do Parque das Azenhas, através de uma “nova candidatura” a fundos comunitários, requalificando “azenhas” e estendendo o percurso até Guidões e Santo Tirso.

Paralelamente, explicou, pretende “criar a Rota das Azenhas”, num “percurso pedestre que permite, além do contacto com a natureza, a visita às azenhas, com a sua história devidamente contada”, e “o Prémio Jovem Biológico”, para “desafiar os jovens a conhecerem a fauna e flora junto ao Rio”.

Joana Lima quer dar continuidade ao projeto “100.000 árvores”, que já permitiu “a plantação de mais de cinco mil árvores” e, por conseguinte, “a regeneração da área ardida”. A candidata afirmou que, no campo da prevenção dos fogos, “há dificuldade” em fazer com que “todos os proprietários limpem os seus terrenos”, no entanto, ressalva que na autarquia existe um setor “praticamente disponível para notificar os proprietários”. Joana Lima destacou ainda a existência da cartografia de risco florestal, “que foi implementada neste mandato autárquico juntamente com o Plano Diretor Municipal”, e que pode ser usado “em modelos de simulação de comportamento de fogo e em infraestruturas de defesa da floresta”, nomeadamente “as faixas de gestão de combustível, pertencentes à rede municipal”.

Já o Castro de Alvarelhos pode ser potenciado, sublinha, “através de um projeto de dinamização da população escolar”.

Outra das propostas da socialista é a “candidatura” rumo aos “85 por cento de comparticipação” para “a construção de um museu de Arte Sacra”, que “reflita as tradições deste ofício” e “projete a Trofa a nível nacional e internacional”. O objetivo é, entre outras medidas, “recriar uma visita virtual às oficinas dos santeiros”.

 MIT-Adapta

Joaquim Azevedo – MIT

A “diminuição do trânsito na cidade com a construção das variantes”, o “embelezamento da Rua Conde S. Bento”, através de “plantas verdes e esplanadas”, a “limpeza da cidade” e a “recuperação de fontanários” são algumas das “prioridades” de do candidato do Movimento Independente pela Trofa (MIT).

Sobre as propostas para a prevenção dos fogos, Joaquim Azevedo afirmou que tem que saber “as condições financeiras em que se encontra a Câmara Municipal” para poder atuar, divulgando que uma das medidas pretendidas é “criar uma rede de água para combater os incêndios”.

No que toca aos pilares que devem sustentar a Proteção Civil, o candidato independente considera “necessário” o “planeamento florestal”, para saber “onde e quais as árvores a plantar”, e “fazer cumprir a legislação em vigor”.

Convidado a analisar a importância da carta de riscos para o concelho, Joaquim Azevedo afirmou ser importante “fazer um estudo para analisar as condições em que nos encontramos atualmente”.