Onde vão ser construídos os Paços do Concelho? A esta pergunta Bernardino Vasconcelos não respondeu mas garante que “no Parque Nossa Senhora das Dores não será” e afiança que a “auscultação pública vai continuar”.

Bernardino Vasconcelos, presidente da Câmara Municipal da Trofa anunciou esta quarta-feira, em conferência de imprensa, que o edifício dos Paços do Concelho não vai ser construído nos terrenos do Parque Nossa Senhora das Dores.

O autarca adiantou que “desde o dia 10 de Outubro tomei nota de que havia de boa parte da população da freguesia mais populosa do concelho (S.Martinho de Bougado), que demonstrava reticências em relação à localização do edifício da Câmara no Parque da Senhora das Dores”.

Perante a contestação que nos últimos dias tem subido de tom, estando mesmo agendada uma assembleia de freguesia extraordinária para discutir o futuro do Parque, o presidente decidiu recuar na sua decisão de colocar à discussão a proposta de construção no Parque Nossa Senhora das Dores. “É evidente que a mobilização para a assembleia de freguesia é uma forma de mostrar a sensibilidade das pessoas. Sei que há uma boa mobilização e que essa boa mobilização condiz com aquilo que vou ouvindo pessoalmente ou por escrito, ou vou lendo nos orgãos de informação local”.

O edil garante que esta sua decisão foi tomada a pensar na vontade dos trofenses pois “governar não significa ser individualista, significa conjugar esforços. A Trofa será o que todos nós quisermos e quando digo todos, significa que todos devemos partilhar e devemos ter uma parte significativa na construção da Trofa que nós queremos para o futuro, no sentido do seu bem-estar” adiantou.

Quanto à auscultação publica que está a decorrer o edil garantiu que esta vai continuar e que “estou aberto a todas as alternativas que os trofenses quiserem sugerir”, não deixando no entanto de lado a hipóteses de construir os Paços do concelho no Bairro da Capela: “Não esta fora de hipótese, essa pode ser uma quarta hipótese, e ela será escolhida em função da sua força. Não basta uma pessoa ou meia dúzia, tem de notar-se que há ali uma tomada de posição consistente”.

Questionado sobre se o empréstimo de três milhões de euros para comprar o edifício da Ráfia para aí instalar a Biblioteca vem de encontro à possibilidade de construir os Paços do concelho nos terrenos da Estação de comboios, o edil nada adiantou. Garantiu apenas”estamos num processo de aquisição da fábrica da Ráfia, é um símbolo da época industrial do nosso concelho, é um espaço com uma boa dimensão, para aí localizar vários serviços, desde a biblioteca municipal, passando por um bom auditório, onde possam ser desenvolvidas actividades e eventos de natureza cultural, política, pedagógica, educativa, como também possamos localizar ali outras funções, como o museu etnográfico. No futuro será uma zona de lazer e que tem entradas directas com essa zona, hoje ocupada por essa mesma linha de ferro, que dentro de 2, 3 anos será desmantelada, e nela faremos toda uma requalificação no sentido de se tornar mais uma zona urbana do nosso concelho”.

O meu pensamento resulta de dois pressupostos: vamos localizar os Paços do Concelho numa nova centralidade, ou vamos localizar os Paços do Concelho numa zona a requalificar, que precisa de uma melhor identidade. Dentro destas duas opções, tenho uma preferência, mas não é uma preferência acabada. Muitas vezes uma vontade tem de se compaginar com uma opinião técnica e é fundamental neste caso. O autarca não revelou qual a sua opção para a construção do edifício da Câmara “para não influenciar as pessoas”.

Bernardino Vasconcelos garantiu ainda que “hoje enviei uma carta ao sr. Presidente da junta de Freguesia de S.Martinho de Bougado no sentido de partilhar com a junta a requalificação do parque nossa senhora das dores, tendo em conta aquilo que é a candidatura a fundos comunitários a que nos candidatamos para requalificar os dois parques e estamos a reanalisar a candidatura para partilhar com a Junta de S. Martinho”, adiantou.

O NT contactou José Sá, presidente da Junta de S. Martinho que adiantou “desconhecer a tomada de posição da Câmara assim como o contacto via carta para em conjunto requalificar o Parque”. No entanto adiantou “desconfiar desta tomada de posição de não construir no Parque. Para mim não chega ele convocar uma conferência de imprensa e dizer que está decidido a não construir no parque. Os trofenses têm de continuar a estar atentos e aguardar o desenrolar da situação”.

Já Joana Lima desafiou o presidente da Câmara para “resolver o processo em tribunal com a junta de freguesia pela posse do Parque e peça desculpas à população da Trofa por todos estes meses de sofrimento causado”. A vereadora foi mais longe e classificou a g

overnação do social-democrata como sendo “desnorteada”, acusando-o de “falta de serenidade para governar o concelho da Trofa”.

Para a próxima sexta-feira está marcada uma reunião extraordinária da Assembleia de S. Martinho de Bougado para discutir o futuro do Parque, ás 21,30 horas no edifício sede da Junta.