tiago-vasconcelos 

Nota prévia: Há cerca de cinco meses que não escrevo nas páginas deste ou de qualquer outro jornal. Deixei de escrever no período eleitoral das eleições autárquicas por motivos de consciência. Apesar de não ser candidato autárquico, desempenhava as funções de director de campanha do candidato à câmara pelo PSD, e em consciência não quis misturar as coisas. Não sei se acham bem ou mal, mas a minha consciência assim o ditou.

Acresce ao facto, outro conjunto de incidências que também ajudaram a preservar o meu silêncio público – o conjunto de atoardas sob a capa do “anonimato” que circularam a meu respeito e da minha família, muitas do domínio da ficção e que me escuso de comentar. Ao procederem dessa forma, os ditos “anónimos” prejudicaram acima de tudo a forma de fazer política.

Resposta? Não, as respostas dão-se na altura e espaço próprio, e não é altura mais apropriada. Tudo tem o seu tempo.

Reconheço que esta nota prévia não é politicamente correcta, mas o politicamente correcto dos nossos dias agrada-me cada vez menos.

Apesar de ter grandes diferenças de pensamento com o Dr. Alberto João Jardim, há uma frase proferida por ele nas últimas semanas que me ficou na memória: “A culpa não é só dos políticos, é de um povo que deixou este país chegar ao estado em que está, de um povo que não tem valores, de um povo que acha piada em todas estas golpadas que vão por aí. Cada povo tem aquilo que merece”. Ou seja, a culpa é de todos nós.

Azedume? Não me parece.

A culpa do país ter chegado onde chegou é, em primeira instância, de quem o dirige. Mas, se reflectirmos sobre as opções políticas dos portugueses nos últimos vinte anos, constata-se que os políticos que tentaram falar verdade ao país sobre o presente e o futuro de Portugal foram preteridos por aqueles que criaram ilusões.

Estamos sempre a criticar os políticos por não cumprirem as promessas, mas se eles não prometerem mundos e fundos ninguém vota neles.

Muito se poderia dizer para tentar mudar o estado actual da forma de fazer política. Todos nós podemos fornecer contributos, mas o problema é que não passam de meros contributos rapidamente perdidos na infindável azáfama de quem, supostamente, decide. Muitos não passam de pensamentos “líricos” para quem os ouve. Outros são considerados impraticáveis. Alguns não têm consistência. Todos os contributos têm uma resposta: Balde do lixo.

Apesar de ter essa consciência, não me resigno. Em tudo na vida, não nos devemos resignar, mesmo que achemos que existe pouca probabilidade de obter resultados positivos. No mínimo, a nossa consciência fica tranquila.

Nesse sentido, deixo apenas dois pequenos e simples contributos para reflexão:

 

  1. O gestor, privado ou público, pode ser processado por má gestão. Quando é que se criam mecanismos para punir o político que actua de forma incorrecta e faz promessas que não cumpre, ou que são puras ilusões para enganar de forma declarada o eleitor?

 

  1. Quando é que se criam mecanismos para que todos os candidatos que pretendem exercer funções políticas tenham experiência de vida e saibam o que custa ganhar ou pagar um salário ao fim do mês?

 

Lirismo? Talvez.