O diário de atividade económica (DEI) é o novo indicador do Banco de Portugal e apresentou uma queda homóloga mais acentuada do que a observada na semana anterior.

“Na última semana de fevereiro, o indicador diário de atividade económica apresentou uma queda homóloga mais acentuada do que a observada na semana anterior.” Foi assim que o Banco de Portugal (BdP) apresentou os dados do DEI (da designação inglesa Daily Economic Indicator) semanal no dia 4 de março no seu comunicado oficial. Esta informação resulta do forte impacto que o novo confinamento decretado a meio de janeiro teve na economia portuguesa.

Lançado em 28 de janeiro, este novo indicador tem o objetivo de reconhecer “mais facilmente” alterações abruptas na atividade económica. Os dados atualizados serão divulgados todas as semanas à quinta-feira pelo Banco de Portugal, com informação até ao domingo precedente.

Apesar de se ter sentido um alívio durante as primeiras semanas de fevereiro, os valores continuaram em terreno negativo. Estes dados mostram que a economia nos primeiros dois meses de 2021 é mais comparável com a do quarto trimestre do ano passado do que com a do período do primeiro confinamento. Ou seja, do que com a do segundo trimestre de 2020.

Conforme apresenta o BdP, a utilização deste tipo de dados de alta frequência “intensificou-se na sequência da crise desencadeada pela pandemia de Covid-19”, já que, dado o “curto desfasamento” da sua divulgação face ao período de referência, permitem “identificar atempadamente alterações bruscas na atividade económica”. Isto significa que os dados são tratados assim que verificados.

A média móvel semanal deste indicador, na semana centrada em 25 de fevereiro, aponta para uma contração homóloga de 6,3% da atividade económica, quando na semana anterior era de 3,6%.

Segundo o comunicado, o DEI “cobre diversas dimensões correlacionadas com a atividade económica em Portugal, sumariando a informação das seguintes variáveis diárias: tráfego rodoviário de veículos comerciais pesados nas autoestradas, consumo de eletricidade e de gás natural, carga e correio desembarcados nos aeroportos nacionais e compras efetuadas com cartões em Portugal por residentes e não residentes”.

A crise económica no país provocada pela pandemia também se fez sentir através dos milhares de pedidos de moratórias de crédito habitação e pela urgência em se evitar incumprimentos no pagamento de prestações de empréstimos. A 5 de março, António Costa alertou numa entrevista ao jornal Público que esta crise está longe de ficar resolvida tão cedo. “No dia em que deixarmos de ter qualquer infetado com Covid-19, continuaremos a ter 400 mil desempregados. Continuaremos a ter muitas empresas que, entretanto, faliram, ou que têm muitas dificuldades em cumprir as moratórias”, disse o primeiro-ministro.

Uma maneira de aumentar o orçamento mensal poderá passar por falar com os bancos onde foi feito o empréstimo à habitação para encontrar novas soluções. Por exemplo, existe a possibilidade de juntar créditos e diminuir as mensalidades dos empréstimos que o cliente já tem.

Mesmo assim, os responsáveis por entidades financeiras também avisam que poderá surgir uma crise no sector da banca já que os grandes volumes de moratórias concedidas deixam antecipar fortes impactos para a banca nacional no pós-Covid. “Temos de encontrar outras soluções e cada um dos bancos terá de assumir as responsabilidades dentro das suas carteiras de crédito”, disse Licínio Pina, presidente do Conselho de Administração Executivo do Crédito Agrícola. Em causa está o volume desproporcional de moratórias aprovadas em comparação com a média europeia.

A Comissão Europeia estima que exista uma contração do PIB português de 2,1% no primeiro trimestre deste ano. Caso esse valor se verifique, essa será a maior queda entre os 27 Estados-membros.

A informação disponibilizada na DEI refere-se aos valores diários e à média móvel semanal deste indicador. A data prevista para a próxima divulgação deste indicador é a 11 de março. Antes do confinamento geral, o DEI estava com valores homólogos positivos.