Os lucros dos quatro maiores bancos privados nacionais (o BCP, o SANTANDER, o BES e o BPI) ascenderam a 1625 milhões de euros em 2005, o que representa um aumento global de 37% em relação a 2004!

Estes lucros acumulam-se num período em os últimos governos falam exaustivamente da necessidade de “todos” fazerem sacrifícios; no momento em que os portugueses estão cada vez mais endividados; com a subida das comissões bancárias levando cada português a pagar em média 200 euros por ano só em comissões e com a degradação das condições de trabalho dos salários e dos direitos laborais até dos trabalhadores da banca.

Enquanto isto sucede, os impostos pagos pela banca vêm a diminuir desde 1998, tendo os bancos pago em 2004 metade do IRC que pagavam em 2004.

toga_passe_peq.jpgOs tais sacrifícios de que falava Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e de que fala agora Sócrates, contrastam drasticamente com os privilégios fiscais que fazem com que a banca pague de impostos qualquer coisa entre os 12% e os 13%; ao passo que para comprar umas calças ou um par de sapatos pago quase o dobre de impostos, ou seja pago 21% de imposto!

Até se formos a uma farmácia comprar um analgésico não sujeito a receita, ou uma seringa, também nos são cobrados os 21% de impostos!

 

Infelizmente não é só a banca a acumular lucros mirabolantes à custa dos trabalhadores e dos pequenos empresários e comerciantes.

Também algumas das grandes empresas que foram públicas até há bem pouco tempo, como a EDP, a GALP, a PT, Brisa, a Portucel, a CIMPOR, vão acumulando escandalosos lucros à custa das negociatas feitas pelos sucessivos governos cujos membros geralmente são colocados nos concelhos de administração destas empresas a receber chorudos ordenados. Também aqui, a riqueza é conseguida sacrificando os consumidores e limitando os direitos e os salários dos trabalhadores das referidas empresas.

 

Mas, com esta realidade de muitos milhões de euros de lucros dos bancos e das grandes empresas, contrasta a situação da maior parte da população portuguesa que vive com aumentos salariais abaixo da inflação há sete anos consecutivos, com reformas de miséria e com restrições na comparticipação da segurança social, encerram os serviços públicos e os que se mantêm praticam preços cada vez mais altos acentuando ainda mais as dificuldades dos portugueses que se confrontam hoje com números assustadores de desemprego: 500 mil. Só na Trofa atinge já cerca de 15% da população activa!

 

Esta é a realidade que todos sentimos e para a qual o PCP há muito vem alertando. Mas é a realidade que o governo e o PS fingem não ver enquanto os outros partidos assobiam para o lado e divertem-se discutindo o Pacto de Estabilidade e Crescimento que nos coloque no pelotão da frente da união europeia.

O que o país precisa é de uma política diferente, não é dos políticos diferentes que praticam a mesma política há trinta anos.

 

 

NOTA FINAL

O Governo quer encerrar a Maternidade do Hospital de Santo Tirso, que serve também o nosso concelho, alegando que só faz 800 partos por ano.

Porque será que não falam das centenas de consultas de ginecologia garantidas pelos médicos ao serviço da Maternidade daquele Hospital?

Porque será que não falam das centenas de consultas de urgência que aquela Maternidade garante todos os anos?

Porque não falam da proposta defendida na Assembleia da República há vários anos pelo PCP de construção de um novo Hospital (público) inserido no Serviço Nacional de Saúde que sirva com dignidade a população dos concelhos da Trofa e de Santo Tirso e lhes assegure todos os serviços e valências a que têm direito?

Que interesses estarão por trás das intenções de encerrar este serviço?

E o Presidente da Câmara da Trofa o que terá a dizer sobre isto?

 

Jaime Toga