A ASVA organizou uma acção de sensibilização sobre a defesa de floresta, no Auditório da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado, em que alertou para algumas medidas a tomar para prevenir incêndios e revelou alguns dados sobre sinistros ocorridos em 2006 no concelho.

Associação de silvicultores organizou sessão de sensibilização "Portugal sem fogos depende de todos" foi o tema abordado esta terça-feira numa acção de sensibilização organizada pela Associação de Silvicultores do Vale do Ave (ASVA) e que teve lugar no Auditório da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado.

Várias entidades ligadas ao dispositivo florestal do concelho, como a técnica do Gabinete Técnico Florestal (GTF) da Câmara Municipal, uma representante da ASVA, um representante da Direcção Geral dos Recursos Florestais e um representante da GNR da Trofa foram os oradores desta iniciativa e expuseram vários temas sobre a floresta, desde a implementação de sistemas de defesa da floresta, como o novo Plano Municipal, acções de sensibilização realizadas junto da população, apelos sobre cuidados a ter no período crítico e contra-ordenações a aplicar no incumprimento da lei.

Apesar das condições climatéricas estarem a ser favoráveis à não ocorrência de fogos florestais, António Pontes, vereador da Protecção Civil, não deixou de alertar para o facto do Verão "ainda estar no início" e de ser necessário "atenção redobrada e prevenir antes que seja tarde demais".

A floresta do concelho ocupa uma área correspondente a mais de cinquenta por cento (3711 hectares) da área total do território concelhio, sendo as freguesias de Covelas e Guidões as que têm maior área de território florestal, relativamente à área total da freguesia.

 

Covelas registou maior área ardida em 2006

Segundo Carla Fernandes, técnica do GTF, as principais causas de ignição e progressão dos incêndios florestais são a falta de ordenamento e gestão dos espaços florestais, a falta de limpeza de faixas de protecção à volta de habitações e queima de matos e lixeiras próximo de edificações.

A análise efectuada pelo GTF, relativamente a sinistros que ocorreram no ano 2006, concluiu que o maior número de ocorrências – queimas e fogachos – foi registado em freguesias rurais, como Santiago de Bougado, mas também em freguesias mais urbanizadas, caso de S. Romão do Coronado. A freguesia de Covelas registou a maior área ardida no ano transacto, ultrapassando a média de 2000/2005. Também segundo o estudo feito concluiu-se que o dia da semana em que mais ocorrências se registaram em 2006 foi terça-feira, seguida de quarta-feira e domingo.

Já Sónia Marques, da ASVA, explicou as funções da associação no concelho e anunciou o projecto das ZIF – Zonas de Intervenção Florestal – que se candidatou no Programa de Apoios ao Fundo Florestal Permanente 2005-2006. A mancha proposta para implementação da ZIF, no concelho da Trofa, tem 2570,5 hectares de área e abrange as freguesias de Covelas, S. Romão do Coronado, S. Mamede do Coronado, S. Martinho de Bougado, Santiago de Bougado e Muro.

 

Multas podem atingir 60 mil euros

As medidas de prevenção contra incêndios, a aplicação da lei referente a esta temática e as contra-ordenações a aplicar foram temas abordados pelo representante da GNR, Cabo Ponte. Desta forma afirmou que é premente "cumprir as recomendações durante o período crítico" e alertou para o facto do incumprimento da lei conduzir a coimas que podem variar dos 140 euros a 60 mil euros e pena de prisão de três a dez anos.

"É uma pena não não estarem mais jovens a assistir a esta sessão". Ivo Gomes lamentou o desinteresse demonstrado pela população jovem relativamente a este tipo de iniciativas e mostrou o seu desagrado pelo facto do país, "um dos locais da Europa que melhores condições tem para explorar recursos florestais", apresentar um baixo aproveitamento, quer em produtos madeireiros e frutícolas.

No que concerne a incêndios florestais, o representante pela Direcção Geral dos Recursos Florestais adiantou que a perda de valor de bens e serviços gerados nas áreas ardidas é de 247 milhões de euros por ano e que a mudança de comportamentos é um passo de gigante rumo à defesa da floresta e da comunidade. Ivo Gomes anunciou ainda que o Governo pretende reduzir o IVA para 5%, em prestações de serviços silvícolas.

A acção de sensibilização terminou com um período de esclarecimentos dos presentes, que colocaram questões que se prenderam, essencialmente, a distâncias obrigatórias de habitações a áreas florestais.