Pela primeira vez em cinco anos, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa apresentou resultados líquidos positivos. Presidente da direção também evidenciou aumento do número de sócios ativos.

A última assembleia-geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa (AHBVT) foi uma das mais concorridas, com a presença de cerca de 40 associados. Ainda assim, este número está muito longe do total de sócios ativos que a associação tem: 5291. Este último valor foi, aliás, descortinado por Pedro Ortiga, presidente da direção, para revelar o aumento de sócios ativos, que inverteu a tendência decrescente registada desde 2011.

Na apresentação do relatório e contas de 2013, outro dos dados destacados foi o resultado líquido, que foi positivo pela primeira vez em cinco anos: 58.045 euros. Para este valor, explicou Pedro Ortiga, em muito contribuíram os 402.217 euros de subsídios,  oriundos de diferentes entidades, como do Município e do INEM. Este valor representa mais 78 por cento que em 2012.

Os rendimentos totais cifraram-se em mais de um milhão e 406 mil euros, numa subida considerável em relação a 2012. “A maior eficiência da faturação dos serviços prestados” foi, segundo o presidente da direção, uma das razões, a par dos subsídios, para este aumento face a 2012. Os gastos totais foram de um milhão e 348 mil euros. “Através deste montante, conseguimos ver o peso da gestão desta associação e do volume de verbas que todos os anos se gasta para manter a sua atividade”, evidenciou.
A política de investimentos “manteve-se”, mas registou uma quebra de 236.923 euros de 2012 – no qual consta um “valor excecional” proveniente do Quadro de Referência Estratégico Nacional – para 191.842 euros.

De acordo com o relatório, a Associação Humanitária conseguiu ainda diminuir os valores a cobrar para com os clientes, de 144.298 euros para 120.218 euros, assim com os créditos também diminuíram de 167.403 euros para 41.796 euros.

Socorro pré-hospitalar domina ação dos Bombeiros

Em 2013, o corpo de bombeiros recebeu 9563 alertas, sendo que 8333 (87 por cento) foram para o socorro pré-hospitalar. Este valor é a grande fatia da atividade dos soldados da paz, que ainda acorreram a 145 fogos florestais, 24 incêndios urbanos e 151 acidentes. Pedro Ortiga afirmou que o número total de ocorrências “exige da parte do corpo ativo operacional uma atividade permanente constante”, realçando que “torna-se comum a existência de algumas ocorrências em simultâneo”.

A corporação registou ainda 539 mil quilómetros percorridos (mais 37 mil que em 2012), devido “à incorporação do transporte de doentes hemodialisados”. No entanto, o número de doentes transportados sofreu uma quebra, de 35.208 para 34.441, devido “aos transportes programados de fisioterapia, que têm vindo a diminuir”, referiu Pedro Ortiga.

Pedro Ortiga garante que existe relação de “cooperação” com corpo de bombeiros

“Daquilo que nos foi fado a conhecer, barricada não existe quando as pessoas se sentam e conversam. Quem quis ser esclarecido foi esclarecido. A nossa postura foi, é e será defender a associação”. Esta foi a resposta de Pedro Ortiga, quando questionado por um associado sobre o clima que se vive entre a direção e o corpo de bombeiros, que levou à demissão do comandante em funções, Filipe Coutinho, e do adjunto do comando, Daniel Azevedo.

Pedro Ortiga não especificou casos, afirmando que a direção, antes de diferir o pedido de Filipe Coutinho – que “alegou questões profissionais para a demissão” – encetou “vários esforços no sentido de avaliar as razões que estavam por detrás dessa decisão”.

Mais ainda, garantiu que a direção “não se imiscui nas questões internas do corpo de bombeiros” e que com ele existe uma relação de “total respeito, cooperação e empenho”.
Recorde-se que na origem da demissão do comando estarão, entre outras divergências, os termos em que foi aplicado o protocolo entre a TrofaPark e a AHBVT, pelo facto de todos os funcionários e voluntários poderem usufruir gratuitamente das instalações do Aquaplace. Os bombeiros defendem que “apenas os voluntários no ativo e no quadro de honra devem beneficiar desta isenção”.

“O que veio a público, como os ataques pessoais, não os valorizo, porque muitos deles não afetam a direção e eu estou de consciência tranquila e a fazer alguma coisa faço nos órgãos próprios, junto dos bombeiros ou recorrendo ao curso legal”, sublinhou Pedro Ortiga, na Assembleia-geral, explicando que não tomou posições públicas, porque “o que é do foro interno da associação deve ser mantido no foro interno”.

Números de 2013
Sócios ativos: 5291
Alertas: 9563
Quilómetros percorridos: 539.009
Doentes transportados: 34.441
Resultados líquidos: 58.045€
Rendimentos totais: 1.406.775€
Gastos totais: 1.348.729€
Investimentos: 191.842€
Complemento de subsídio exploração: 402.217€
Donativos: 23.448€
Receitas creche: 142.653€

Números de 2012
Sócios ativos: 5004
Alertas 9190
Quilómetros percorridos: 502.090
Doentes transportados: 35.208
Resultados líquidos: -35.181€
Rendimentos totais: 1.225.926€
Gastos totais: 1.261.107€
Investimentos: 236.923€
Complemento de subsídio exploração: 224.892€
Donativos: 15.570€
Receitas creche: 148.437€