“Muro é a centralidade”

Perante a pouca divergência que caracterizou a Assembleia de Freguesia do Muro, o período mais quente da sessão foi mesmo o que contou com as palavras de Carlos Martins em “defesa” da freguesia que comanda.

 A chegada do metro foi um dos assuntos novamente abordados pelo autarca, que acredita que este transporte vai tornar o Muro “numa das melhores freguesias para se viver no distrito”, pois, segundo Carlos Martins, a sua freguesia “é a centralidade” que será servida pelo metro e pela variante à EN 14. E é por estes motivos que o presidente da Junta considera que “há pessoas que têm inveja do Muro”. Carlos Martins não poupou críticas à “postura” do presidente da Junta de Freguesia de Alvarelhos, Joaquim Oliveira, afirmando que o Centro de Saúde construído naquela freguesia “é um elefante branco” que foi concebido “por questões eleitoralistas para pagar favores internos”. Carlos Martins falou ainda no panfleto anónimo que circula no concelho e que acusa o presidente da Câmara e outros autarcas de “enriquecimento ilícito”, “favorecimento de empreiteiros”, entre outros. “Estou contra o anonimato, porque quem acusa tem que dar a cara, mas (o panfleto) tem muitas verdades”, acrescentou.

Quanto aos rumores da construção de uma segunda piscina no concelho, Carlos Martins evocou novamente a “luta” para que esta infra-estrutura seja construída no Muro. “Se houver mesmo uma nova piscina temos que fazer força para ela vir para o Muro, porque é esta a freguesia que reúne as condições para ser uma centralidade. Está melhor localizada para servir as populações de S. Mamede, S. Romão, Guidões e Alvarelhos”, sublinhou.

Carlos Martins anunciou o projecto de requalificação para um terreno do loteamento da Agra da Cana, que servirá a população para promover algumas actividades como a procissão em honra a S. Pantaleão.

O projecto já está feito e a obra terá o custo de “65 mil euros”, contando com a comparticipação de “dois terços da Câmara Municipal da Trofa” e do restante da Junta de Freguesia do Muro.

Apesar de ser um tipo de obra que exige diversos orçamentos, o autarca espera que fique pronta até à procissão, no final de Junho. Mas isto “se as verbas chegarem”, acautelou Carlos Martins. “Não podemos começar com uma obra sem verbas, porque não queremos deixar nenhuma dívida para os próximos (elementos do executivo)”.

Adelino Pinto, membro socialista, questionou o autarca sobre a situação da repavimentação do troço da EN 14, devido ao saneamento e abastecimento de água. Carlos Martins prometeu questionar o presidente da Câmara Municipal sobre o assunto, mas afirmou que a bacia que abrange a freguesia do Muro foi intervencionada “pelo melhor empreiteiro e, por isso, o mais caro”.

O membro do Partido Socialista levantou ainda o problema da destruição de algumas paragens de autocarro, o que faz com que “as pessoas tenham que esperar pelo transporte à chuva”.

Carlos Martins afirmou que o executivo “já solicitou uma série de paragens, mas neste momento as empresas de publicidade não querem investir, porque queixam-se da falta de rentabilidade das estruturas”.

A aquisição de uma carrinha para servir a Junta mereceu o elogio de Adelino Pinto, que aproveitou para sugerir que esta seja utilizada para proceder “à remoção de animais que são atropelados na estrada e que protagonizam um cenário repugnante”.

 

 

Não deixamos os empreiteiros com as calças na mão”

A assembleia mostrou unanimidade na discussão da Conta de Gerência de 2008, com Carlos Martins a demonstrar toda a disponibilidade para mostrar as contas do executivo. “Não temos nada a esconder e podemos dar-nos ao luxo de fazer a obra e não deixarmos os empreiteiros com as calças na mão”, afirmou o presidente, acrescentando ainda que “até a Câmara se atrasa nos pagamentos”.

O autarca foi ainda mais longe e afirmou que ao contrário do Muro, “existe uma Junta de Freguesia que já hipotecou 30 por cento das verbas que receberá nos próximos 10 anos”.

Carlos Martins mostrou-se ainda satisfeito com o facto de conseguir uma redução de despesas de pessoal de 60 para 45 por cento, adiantando que a previsão para o próximo ano é uma nova queda para 35 por cento.

“Deixámos ainda seis mil euros de saldo para não andarmos a zero. Somos um executivo sério e não nos podem acusar de falta de transparência”, frisou.

Na ordem do dia esteve ainda em discussão o protocolo de delegação de competências de 2009, que sofreu um atraso, segundo Carlos Martins, devido a um equívoco, já que o autarca considerava que “não era necessário levar a assembleia, já que no ano passado tinha solicitado à autarquia uma antecipação”. “Mas não é por causa disso que ficamos sem as verbas da Câmara Municipal, porque ainda faltam as do ano passado”, esclareceu.

Em “tempos de recessão”, Carlos Martins informou que as despesas de capital e correntes sofreram “um ligeiro aumento”, ultrapassando os sete mil euros. O documento foi aprovado por unanimidade.