Dois anos depois, a acalmia do cemitério de Guidões voltou a ser interrompida pela visita dos “amigos do alheio”.

Há dois anos, a imagem imponente de um anjo com pouco mais de um metro escapou às mãos dos “amigos do alheio”, mas a intenção de o levar ficou bem demonstrada com o facto de o objeto ter ficado a abanar. Mas na madrugada de 26 de agosto, a estátua que ornamentava o jazigo, onde jaz a mãe e um filho de Jaime Guimarães, acabou mesmo por desaparecer do cemitério de Guidões.

A coveira Maria Maia é que deu conta do desaparecimento na manhã seguinte: “Estava a falar para uma senhora, que me perguntou se estava tudo bem por aqui, porque tinha visto na televisão que tinham vandalizado e roubado imagens de 40 jazigos num cemitério. E eu disse que desde há dois anos que não acontecia nada, mas quando segui mais para a frente reparei que afinal faltava uma imagem”.

O primeiro pensamento de Maria foi que Jaime Guimarães e a esposa “o tinham retirado para o limpar, como era intenção deles”, mas depois de contactar os proprietários e dar pela falta de mais duas imagens, concluiu que a acalmia do cemitério tinha sido interrompida por larápios.

A imagem do anjo, em bronze, era a mais imponente do cemitério e – diz o proprietário – a “mais linda das redondezas”, tendo sido colocada há mais de 25 anos, por altura da morte da mãe de Jaime. Para além do valor patrimonial – “custou 300 contos” (cerca de 1500 euros na moeda atual) – tem “um valor moral incalculável”, ao ponto de fazer com que a esposa de Jaime Guimarães não consiga deslocar-se ao cemitério e olhar para o jazigo sem a imagem. “Para a minha mulher foi um desgosto muito grande, porque ela quis a estátua mal a viu”, referiu.

Jaime Guimarães considera que a imagem terá como destino “uma sucata” ou então “algum marmorista é capaz de ficar com ela”.

Para a substituir, Jaime já coloca em hipótese uma estátua de mármore: “Se meter outra de bronze, volta a desaparecer”.

O cemitério de Guidões está aberto 24 horas por dia e Jaime Guimarães considera que a “a primeira coisa que a Junta de Freguesia devia ter feito era fechar os portões à noite”. “Eles dizem que quem quiser avança por cima, mas isso é mais difícil. Quem entra pela porta passa despercebido, mas quem avançar é para roubar”, frisou.

O NT contactou o presidente do executivo guidoense, Manuel Araújo, que assegurou que “vai ser equacionada a hipótese de colocar um horário de funcionamento no cemitério”, para ter os portões fechados “durante a noite”. No entanto, o autarca considera que esta medida não vai travar as intenções dos “amigos do alheio”: “Travar esta situação é muito complicado, porque é fácil avançar para o interior do cemitério”.

Segundo Maria Maia, para além do furto do anjo e de outras duas imagens, “uma Nossa Senhora e um Santo António”, não houve vandalização nos jazigos, a não ser o abalo de outras estátuas, supostos alvos dos larápios, que não conseguiram concluir os seus intentos.

A responsável pelo cemitério recordou que “há dois anos, roubaram quatro imagens e alguns candeeiros”.

 

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