O tema é recorrente. Sempre que o País atravessa situações de crise profunda e não se prevê estabilidade política fala-se e discute-se a necessidade e a viabilidade de uma aliança governativa protagonizada pelos dois maiores partidos do espectro político – PSD e PS.

Nos últimos dias a discussão em torno do tema tem aumentado. Ora vemos personalidades do PS a dissertar sobre o assunto, ora assiste-se dirigentes do PSD a emitir opinião. Nem todas as posições partidárias internas são consonantes. As diversas personalidades que indicam a coligação governativa entre os dois maiores partidos da democracia portuguesa invocam a necessidade de Portugal ter estabilidade política perante a crise dramática que assola todo o mundo. Por outro lado, os que se opõem clamam pela diferença de projectos políticos que os dois partidos apresentam ao País.

Uma coisa é certa, todos admitem como cenário a ausência de maioria absoluta de qualquer partido saída das próximas eleições legislativas, algures no mês de Setembro.

Outro facto inquestionável é a necessidade de Portugal ter estabilidade política para poder enfrentar a crise. Eu diria mais, é necessário que o País tenha políticas estáveis em vários domínios – Educação, Saúde, Justiça, Agricultura, Energia e Obras Públicas – para, de uma vez por todas, poder aspirar ao seu desenvolvimento sustentado e aproximar-se dos países do pelotão da frente da Europa.

Num País tão pequeno, não é possível obter vantagens competitivas se não existir uma concertação de políticas sectoriais nesses domínios entre os dois maiores partidos (pelo menos!) que exercem a alternância de poder. Portugal não consegue singrar continuando no Zig-Zag de políticas nas áreas atrás mencionadas.

Por isso, e para mim, é mais importante falar da estabilidade de políticas nas áreas da Educação, Saúde, Justiça, Agricultura, Energia e Obras Públicas do que em alianças de governação, sejam elas quais forem!

Tiago Vasconcelos