Falta menos de um ano para as próximas eleições autárquicas, que vão implicar a mudança de muitos presidentes de câmara devido à limitação de mandatos. A lei que limita o número de mandatos como presidente de Câmara tem suscitado diversas e acesas discussões. Para uns, a lei limita o mandato na mesma autarquia, para outros limita em todas as autarquias. Para mim, a lei é clara e pretende evitar que a existência de redes de influência não perpetue a mesma pessoa à frente dos destinos de um concelho. Nesse sentido, não vejo como o presidente de uma autarquia consiga estender a sua influência ao concelho vizinho, pois não tem instrumentos de poder que lhe permitam influenciar os formadores de opinião.

Assim sendo, a questão que tem alimentado este arranque de pré-campanha eleitoral, não tem sentido e esgotar-se-á em breve, apenas serviu para tentar “desmontar” e desgastar a candidatura de Luís Filipe Menezes ao Porto. Alguém ouviu alguma contestação pela possibilidade de Fernando Seara, presidente da câmara de Sintra, ser candidato a Lisboa?

Outro dos temas centrais, será a contabilidade e a obra realizada de cada autarquia. Hoje, o discurso do despesismo como arma de arremesso aos partidos no poder em cada autarquia tem alta probabilidade de sucesso. No meu ponto de vista, nem sempre o discurso irá colher. Exemplificando, Rui Rio é referenciado como um bom presidente de câmara por ter colocado as finanças da Câmara do Porto em ordem. Entretanto, Luís Filipe Meneses é considerado um excelente presidente de câmara pela obra desenvolvida em Gaia. Dois estilos diferentes, duas formas de gestão opostas. Mas, não será que o estágio de desenvolvimento de Gaia e Porto não exigiram o estilo de Rio e Meneses nos seus concelhos? Parece-me que sim. Ou seja, a lógica do endividamento por investimento na qualidade de vida de um concelho que necessita de desenvolvimento e ser competitivo na sua região pode ser considerado positivo. Ao mesmo tempo, o restringir o investimento em determinada autarquia que já tenha atingido um avançado estado de desenvolvimento e esteja altamente endividada pode ser considerado como imprescindível.

Assim, o argumento da contabilidade da câmara ou a obra realizada não poderão ser utilizados em simultâneo na generalidade dos municípios pelos candidatos às próximas eleições autárquicas. Relativamente a este tema, o PSD da Trofa tem sorte, infelizmente. Joana Lima e Magalhães Moreira, não fazem obra nem pagam dívida. Pior, não executaram os projetos prontos a iniciar. É o chamado “deixa andar que alguém háde fechar a porta”.

Mas, o principal tema será o projeto que cada candidato tem para o quadriénio 2013/2017 e a credibilidade que inspira para o cumprir. Na atual conjuntura, qualquer candidato vencedor deve ter um projeto adequado à realidade do país e do município a que se candidata, centrado nas questões sociais e na criatividade e imaginação para executar uma a duas obras que sejam importantes na melhoria da qualidade de vida dos seus eleitores. 

Esse projeto deve ser catalisador do orgulho, solidariedade e empenho da maioria dos habitantes do concelho a que se destina.

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