O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Armindo Costa, e o director do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo, apresentam amanhã, quarta-feira, dia 28 de Março, pelas 17h30, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, a exposição sobre a arqueologia famalicense, intitulada "Pedra Formosa – Arqueologia Experimental", seguindo-se a inauguração da exposição, precisamente no Museu Nacional de Arqueologia situado na Galeria Ocidental do Mosteiro dos Jerónimos.

A mostra que tem como comissário científico Armando Coelho, da Universidade do Porto, implicou a reconstituição rigorosa e em tamanho natural do complexo de banhos do Castro Alto das Eiras, localizado na freguesia de Pousada de Saramagos, e da sua magnifica Pedra Formosa, usando os materiais e as tecnologias de fabrico do primeiro milénio antes de Cristo. A exposição, que envolveu o transporte de cerca de 200 toneladas de granito,  pode ser visitada até ao final do mês de Dezembro, de terça a domingo, das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00.

Refira-se que o monumento do Alto das Eiras foi identificado em 1880 por Martins Sarmento tendo o Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão retomado as escavações, em 1990, sob direcção do arqueólogo Fernando Queiroga. Na altura, o monumento foi identificado como uma composição arquitectónica, com átrio, ante-câmara, câmara e fornalha, e elementos decorativos tal como outros monumentos congéneres. No entanto, o maior destaque revelou ser a descoberta da riqueza ornamental da sua Pedra Formosa.

Para o presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Armindo Costa, "com esta iniciativa pretende-se divulgar o património arqueológico do concelho a nível nacional". Assim, serão concretizadas uma série de reconstituições que permitirão mostrar ao grande público os processos de fabrico das peças mais representativas do património arqueológico famalicense. Durante o período de permanência da exposição será realizado um ciclo de acções de arqueologia experimental em torno de matérias-primas e processos de fabrico, como a ourivesaria, a olaria, a arquitectura e a alimentação, visando a divulgação do património arqueológico.

De acrescentar ainda que a singularidade dos monumentos expostos, de longa historiografia e diversidade interpretativa, desde os primórdios da Arqueologia portuguesa até à actualidade, tornou-se neste desafio de Arqueologia experimental, reconstituindo a sua estrutura para ensaio de seu funcionamento e debate científico, ora se interpretando segundo contextos da antropologia religiosa das comunidades indígenas do Noroeste peninsular.

Destinados a banhos públicos, sobressaem pelo seu aparato e técnica construtiva como construções singulares do conjunto arquitectónico castrejo, de que se conhecem diversos exemplares por todo o Noroeste da Península Ibérica, desde o Norte da Galiza e Astúrias à margem esquerda do rio Douro.

Mais informações:  www.mnarqueologia-ipmuseus.pt