Em Portugal já arderam cerca de cinco mil hectares de floresta desde o início do ano. Apesar dos "bons resultados", Ascenso Simões, secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e Pescas, destaca que ainda há "muito por fazer".

area-ardida.jpg"Mesmo que tenhamos bons resultados não nos satisfazemos, porque há ainda muito por fazer", adiantou Ascenso Simões, relativamente ao número de hectares de área de floresta ardida, que em Portugal têm vindo a diminuir.

Passado um mês e meio do início da época de verão e com as condições meteorológicas a ajudar, apenas cinco mil hectares arderam este ano, cerca de 16 por cento da área total ardida no ano de 2007, que corresponde a cerca de 31 mil de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Na Trofa, e ainda de acordo com os dados do INE, os números relativos a 2007 são menos alarmantes. Ao longo do ano arderam 27 hectares, nove dos quais em povoamentos florestais. Já no ano anterior, em 2006, a superfície total ardida foi de 150 hectares.

Segundo a Agência Lusa, Ascenso Simões afirmou ainda que o Algarve terá em funcionamento uma Direcção Regional da Floresta, "assim que seja publicada a lei".

O anúncio já tinha sido feito no Algarve, em Março, pelo ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Jaime Silva, que na altura afirmou que o modelo seguiria o das direcções regionais de Agricultura.

Esta reorganização trará uma maior autonomia à Direcção de Serviços da Floresta do Algarve que deixará de depender de Évora, como acontecia até agora, passando a haver cinco direcções de serviços no país.

Ascenso Simões apresentou os números na "Tree Parade", uma exposição que é composta por 145 "árvores" decoradas por alunos de escolas de todo o país e que estará patente em Faro até ao final de Agosto, no Jardim Manuel Bívar, Vila Adentro e Jardim da Alameda, havendo também algumas dispersas na zona do Mercado Municipal e Teatro das Figuras.

A iniciativa é da Direcção Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (DGIDC) e da Direcção-Geral dos Recursos Florestais.

Zonas de Intervenção Florestal criadas em menos tempo

O governo está a preparar uma nova legislação que deverá diminuir o tempo de criação, de dois anos para sete meses, das Zonas de Intervenção Florestal (ZIF).

Segundo o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, o processo de criação das ZIF é "muito burocrático". Ascenso Simões anunciou ainda que serão criadas duas novas ZIF no Algarve, em Tavira e São Brás de Alportel, o que significa mais 4.400 hectares de área nacional intervencionada naquelas zonas.

Segundo o secretário de Estado existem cerca de 124 mil hectares de área intervencionada. Contudo o objectivo é atingir, até ao fim do ano, 200 mil hectares.

"As ZIF são o bom caminho, mas reconhecemos-lhes algumas dificuldades", disse Ascenso Simões, acrescentando que o Governo quer que o processo fique "mais leve" e que a constituição de uma ZIF seja feita em apenas sete meses.

As ZIF são áreas territoriais contínuas e delimitadas, constituídas maioritariamente por espaços florestais, submetidas a um plano de gestão florestal e a um plano de defesa da floresta contra incêndios.