Vinte formandos do Curso EFA B2 Hotelaria e Restauração, promovido pela Cruz Vermelha da Trofa, prestaram uma “prova de conhecimentos e práticas” com um jantar na EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques, na segunda-feira.

Luciano Martins não se importava de ser o Mourinho da cozinha. Sabe da importância de manter guardados a sete chaves “os segredos” gastronómicos e do trabalho em equipa, porque se não “lá se vai o emprego”. Depois de se encontrar no estatuto de desempregado, Luciano resolveu “mudar o rumo de vida” e “felizmente” conseguiu entrar no Curso EFA B2 de Hotelaria e Restauração, desenvolvido pela Cruz Vermelha da Trofa.

Este aprendiz de cozinheiro gosta de confeccionar “de tudo um pouco”, mas não esconde a preferência pelo “prato de bacalhau”. Compara a cozinha a um balneário de futebol, onde se “guardam segredos” e as vitórias surgem através do “trabalho de equipa”.

Também Fernando Santos, depois de assistir à falência da empresa onde trabalhava, não desperdiçou a oportunidade de integrar este grupo de formandos, pois “sempre” gostou de cozinha. Hoje invade a de casa para “copiar” o que a esposa faz e dar-lhe “umas dicas” com o que tem aprendido na formação. Ao contrário do colega, Fernando prefere cozinhar carne e dá-lhe um gosto especial confeccionar “um bom cozido à portuguesa”.

Estes são dois dos 20 formandos que estão a frequentar o curso, que se estreou este ano na Cruz Vermelha da Trofa. Na segunda-feira, tiveram uma verdadeira “prova de fogo”, ao ter que preparar um jantar para convidados especiais. Na iniciativa “Mundo de Sabores”, entre os presentes estavam a presidente da instituição, Odete Pedroso, e até a edil trofense, Joana Lima.

A apresentação do primeiro “tema de vida” está inserida na aquisição de competências ao nível do 6º ano, mas há quem não queira parar por aqui. Júlia Torres é um dos exemplos. Teve “a sorte” de ser chamada para frequentar o curso, mas “se tiver oportunidade”, quer “seguir em frente”, para obter o certificado do 9º ano.

Explicou que os pratos apresentados no jantar foram “bacalhau à posta” e “carne à finlandesa”, acompanhados de um cocktail saboroso.

O formador de cozinha, Rui Fonseca, admitiu que os alunos “estavam nervosos” antes da iniciativa, não com a parte da cozinha, mas com a representação teatral. É que, para além da prova prática, os formandos tiveram que explicar aos convidados os cuidados básicos de saúde e as normas de higiene e segurança.

Depois do teste, seguiu-se a avaliação. Odete Pedroso aprovou os pratos confeccionados e mostrou-se “feliz” por verificar que o curso “é muito útil a estas pessoas”. “Estou convencida de que vão dar grandes frutos e espero que consigam fazer mais e melhor”, frisou.

Já Fátima Silva garantiu que “o bacalhau estava muito saboroso”, enquanto a carne tinha “um sabor internacional”. Numa escala de zero a dez, a trofense dava “nota dez” aos cozinheiros.

É uma prova de conhecimentos e práticas”

Esta iniciativa consistiu na apresentação do primeiro tema de vida dos formandos. “É uma prova de conhecimentos e práticas”, explicou Carina Pereira, coordenadora pedagógica do Curso EFA B2 de Hotelaria e Restauração.

“Achámos que faria todo o sentido abrir esta iniciativa à comunidade, para que os formandos pudessem dar-se a conhecer e dar a conhecer o seu trabalho e quem sabe daqui construírem pontes para mais tarde facilitar a sua inserção no mercado de trabalho”, atestou.

A turma de formandos “tem sido excelente”, assegurou, pois mostra-se “muito motivada, dedicada e sempre com muita vontade de aprender”.

As aulas teóricas deste curso, como o português e a matemática, estão a ser realizadas nas instalações da Cruz Vermelha da Trofa, enquanto o módulo de cozinha está a decorrer nas instalações da EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques. A instituição tem ainda a colaboração do Espaço t, onde são ministradas as aulas de informática.

Este curso EFA dá uma certificação escolar de 6º ano e outra profissional de cozinheiro e está a decorrer desde Julho deste ano.