A performance de uma aluna da Escola Básica e Secundária do Coronado e Castro na leitura de um texto literário sobre violência doméstica chamou a atenção da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). O trabalho em vídeo resultou do projeto escolar “Leitura em movimento – um baú d’estórias para contar”.

O projeto já existia desde o ano passado, mas ganhou novo contexto mais recentemente, com o período de confinamento. O “Leitura em movimento – um baú d’estórias para contar” foi uma ideia lançada por alguns professores do departamento de Línguas do Agrupamento de Escolas do Coronado e Castro, em articulação com a Biblioteca Escolar.

E para Cristina Martins, uma das docentes envolvidas projeto ouvidas pelo NT, esta é uma prova que, mesmo à distância, na escola “consegue-se fazer coisas muito interessantes e muito válidas sobre temas que dizem respeito a toda a comunidade”.

O projeto caracteriza-se por desafiar os alunos a elaborarem um vídeo, no qual “recriassem excertos de obras, poemas de autor ou os seus próprios textos, escritos nas disciplinas de Português e Leitura Recreativa, associando-os a datas comemorativas como o Dia Mundial da Mulher, da Poesia, da Árvore, do livro Português, entre outros”.

Um dos trabalhos deu nas vistas, ao ponto de merecer reconhecimento exterior. Trata-se do vídeo elaborado pela aluna do 9.º ano da Escola Básica e Secundária do Coronado e Castro, Sara Castro, alusivo à violência doméstica. “Ela foi muito perspicaz na escolha de um trecho de uma obra, que não faz parte das leituras da escolaridade, tratando-se de uma obra escolhida por ela, o que demonstra uma sensibilidade acrescida”, referiu a docente.

A caracterização que Sara Castro escolheu, à medida que lia o texto, potenciou a emoção na receção da mensagem, o que fez a APAV, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, partilhar o vídeo na plataforma interna.

O assessor técnico da direção da APAV, Nuno Catarino, em email, felicitou a jovem e sublinhou a importância de “sensibilizar a comunidade, sobretudo a escolar” para estes assuntos. “Este tipo de trabalhos e iniciativas é importante para passar a mensagem”, acrescentou Nuno Catarino, que anunciou ainda a publicação do vídeo no canal de Youtube da APAV.

Além de Sara, outros alunos participaram no projeto, com trabalhos que ficarão disponíveis no blogue das bibliotecas do Agrupamento de Escolas e serão levados às mais variadas turmas e espaços da comunidade educativa. Um dos que já se pode ver no site das bibliotecas é o reconto do conto “A Galinha”, de Eça de Queirós, num vídeo em que os alunos criaram avatars, através de programa de computador, para dar vida às personagens.

Os vídeos podem também ser vistos no canal de Youtube, em www.youtube.com/user/CastroTV1/
“Há meninos que têm tanto para dar, que merecem sair do anonimato. Lançar-lhes desafios é apostar neles, naquilo que de mais genuíno têm e os diferencia do outro. E a Escola tem o direito e a obrigação de passar por aqui, de não se limitar à instrução ou à transmissão de conhecimentos”, defendeu Cristina Martins.