Quase dois anos de viagem e mais de 80 mil quilómetros percorridos de sul a norte da América. António Queirós partiu da Trofa em Outubro de 2007 rumo a um sonho que só conseguiu acabar de concretizar este mês. Para trás, para além do asfalto e terra batida, ficam memórias inesquecíveis que o motociclista eternizou na mente e no blogue www.viajardemoto.blogspot.com.

No Porto, na última paragem da viagem, António Queirós tinha à sua espera uma comitiva entusiasta que fez do seu regresso uma verdadeira festa. E para a pessoa mais especial, a sua mãe Maria Odete Queirós, o sentimento de rever António foi indescritível: “Não faz ideia da sensação que tive pois não? Foi muito chocante, porque foi muito tempo, mas graças a Deus que chegou bem”.

Um ano e meio era o tempo que Maria Odete pensava que António Queirós estaria ausente de Portugal, mas foram precisos dois anos para que este motociclista aventureiro passasse por todos os locais de interesse que planeou visitar.

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Bolívia, Brasil, México, Argentina e Alaska foram alguns dos muitos pontos visitados por António Queirós que já tinha a pretensão de fazer esta viagem há muito tempo. No entanto, só há dois anos “se reuniram todas as condições” para que a viagem se proporcionasse.

Tudo começou em Buenos Aires, na América do Sul. Depois foi só somar quilómetros e momentos inesquecíveis. “Em termos de paisagens gostei da Patagónia, muitas montanhas, a Bolívia também achei excepcional, com as altitudes e os lagos salgados enormes, cerca de 120 quilómetros de sal quase a perder de vista. No Brasil o pantanal, achei espectacular e depois nos Estados Unidos, que parecem um continente e também o Canadá também”, afirmou.

O facto de andar quase toda a viagem sozinho não foi problema para o motociclista, que ainda encontrou três portuguesas na América, uma no Perú e as outras no Panamá. E um dos aspectos mais importantes da viagem foi conhecer muitas pessoas de nacionalidades e culturas diferentes. “Foi muito interessante conversar com eles, aprendi muitas coisas e de vez em quando saímos juntos e passados uns dias voltávamos a encontrar-nos em sítios diferentes”, contou.

Mas nem tudo foi um mar de rosas. No Equador, depois de sofrer um acidente que o feriu no ombro, o motociclista pensou em regressar a Portugal. “Andei uns dias a ver se tratava de uma caixa para despachar a mota para Portugal, mas não encontrei onde o fazer e pensei que seria um sinal para não regressar e depois alguns amigos sempre me apoiaram para não desistir, o que foi muito importante”, referiu.

António Queirós ficou satisfeito com a recepção feita por amigos e familiares que não queriam que o motociclista fizesse de carro os últimos quilómetros de viagem. Pedro Lopes afirmou que “não fazia sentido” que o aventureiro acabasse a viagem se não fosse de mota. “Nem que estivesse manco e nós tivéssemos que o empurrar ele haveria de vir de mota de certeza absoluta”, afirmou.

Para além de melhorar as suas técnicas de condução devido aos milhares de quilómetros que percorreu, António Queirós desenvolveu a capacidade literária, sublinhou o amigo. “É extraordinariamente importante para os trofenses e para os portugueses em geral visitar o blogue que o António actualizou em viagem. Quase diariamente o ia actualizando, com textos muito simpáticos e com fotografias do outro mundo. Tornou-se num escritor agradável”, frisou.

E não é só a América que vive nos sonhos de António Queirós. O motociclista promete não parar por aqui e já tem uma nova viagem em mente, pela Rússia em direcção à Europa, desta vez acompanhado pelos amigos.

Para além desta viagem à América que terminou agora, António Queirós já fez três viagens a Marrocos e outras pela Europa. O limite para este aventureiro será, quem sabe, uma volta ao mundo, claro está, sem ser em duas rodas: “Há muito mundo para conhecer. Quando der a volta a mundo pode ser que páre”.