António Cruz foi homenageado na terra natal, com várias atividades que tiveram como objetivo recordar e eternizar na memória este bougadense que sempre defendeu a Trofa.

Escritor, professor, jornalista, autarca ou historiador são apenas algumas das ocupações que fizeram parte da vida de António Cruz. Nascido em Santiago de Bougado no dia 24 de julho de 1911, completaria um século de vida este ano.

A Câmara Municipal da Trofa decidiu assinalar o centenário do seu nascimento com várias iniciativas, numa homenagem que juntou autarcas, familiares e trofenses, no fim de semana de 23 e 24 de julho.

“Este ilustre trofense que hoje homenageámos tem um percurso político e académico, tanto na área das Letras como historiador, teve várias obras publicadas quase até à sua morte, que se deve à sua determinação, capacidade, conhecimento que teve. Recordo que foi vereador na Câmara Municipal de Santo Tirso, onde defendeu sempre as gentes da sua terra”, explicou Joana Lima, presidente da Câmara Municipal da Trofa.

As comemorações do centenário de nascimento começaram no dia 23 de julho, na Casa da Cultura da Trofa, com uma tertúlia intitulada “Professor Doutor António Cruz: professor, investigador, um homem da sua terra”. Depois disso, seguiu-se a inauguração da Mostra Bibliográfica da sua obra.

As cerimónias continuaram no domingo com uma Missa em Ação de Graças pela Vida e Obra de António Cruz, na Igreja Matriz de Santiago de Bougado.

A homenagem continuou na casa onde viveu António Cruz, Casa do Outeirinho, com o descerramento de uma placa de homenagem, seguindo-se o descerramento da placa de atribuição da designação “Biblioteca Municipal Prof. Doutor António Cruz”, na Casa da Cultura da Trofa.

A família assistiu ao descerramento das placas com comoção e viu reconhecido o trabalho desenvolvido por este bougadense.

Fernando Cruz, um dos filhos do homenageado, não conteve as lágrimas no momento de falar do pai. “É um reconhecimento da terra dele àquilo que ele fez e tentou fazer. Estamos extraordinariamente gratos à Câmara da Trofa pela atitude que tomou, sobretudo por ser esta data. É uma homenagem merecida, sobretudo na sua terra e isso é fundamental”, acrescentou.

António Cruz foi também pai e educador e os filhos guardam boas recordações desse tempo: “Era uma joia como pai. Como educador era duro, principalmente para mim, que era rapaz, mas só por cinco minutos. Passado esse tempo já ficava tudo bem. Era um ótimo pai e, citando a minha mãe, era um ótimo marido”, reiterou.

Enquanto bougadense e trofense “sempre defendeu a Trofa” e “estaria orgulhoso se soubesse que a terra dele era concelho”, assegurou Fernando Cruz.

Joana Lima anunciou ainda que “sempre que possível”, a Trofa “vai recordar” aqueles que de algum modo ajudaram a divulgar o concelho.

António Cruz nasceu a 24 de julho de 1911, em Santiago de Bougado, tornando-se jornalista, catedrático e historiador. Em 1927 foi o redator do primeiro número do jornal quinzenário “O Trofense”, em 1932 tornou-se chefe da redação do Diário de Coimbra, foi também diretor dos vespertinos portuenses A Tarde e Diário do Norte. Enquanto historiador António Cruz foi autor de mais de cento e cinquenta obras no âmbito da História de Portugal. Faleceu em 1989.

As cerimónias de homenagem a António Cruz terminaram com um concerto da Orquestra Sinfónica da Trofa, nos jardins da Casa da Cultura.

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